Querido...
“
Quando eu te conheci tive a sensação súbita de medo. Não sei por quê. Sempre te
enxerguei colorido. Às vezes sinto falta do antigo você que não me envolvia em
seus segredos mais profundos. Eu te amei de graça. Não houve promessas, nem
mentiras. Talvez por isso eu tão sensível gostei de quem você – verdadeiramente
– era. Talvez por isso eu me afortunei em sonhar e criar a gente. Sonho que é sonho
tem nuvens de algodão. Eu imaginei os mais doces sorrisos. Eu imaginava um futuro num horizonte de miragem. Eu fui a
tola que dei nomes aos nossos filhos, escolhi a cor da nossa casa. Cedo ou
tarde a verdade me encontrou me dando banhos constantes de água fria. Eu não
sei o que você fez comigo. Mas a culpa foi toda minha. Por ter feito um desenho muito bonito, de quem, por meio de desdém não deixa –
se desenhar nem em papel de guardanapo. Eu tão romântica e insana, carregada de
lindas histórias de amor e músicas perfeitas, inventei o amor. Eu tão prevista
de corações nos cadernos e poesias nos bolsos, descobri a maledicência dos seus
sorrisos; a insensatez dos seus olhos fúnebres. Quando acordei estava em
pedaços. E agora tentando recuperar uma razão pra te querer me pergunto por que
não parti. Por que não te deixei na esquina mais próxima e segui meu caminho.
Por medo. Esse medo tão complacente ao meu desejo de liberdade. Quero me livrar
das dores cotidianas. Que me tiram o sono, todos os dias. Quero me livrar dos
sorrisos falsos. Eu bem que podia te perdoar. O medo me deixou aleijada.
Não posso te perder, mas será que pra isso vou me perder? Não posso te deixar
passar, mas será que pra isso eu vou passar? Passar todas as minhas tardes me
odiando por ser tão medrosa. Por medo de perder. Você. Eu não encontro conforto. É assim todos os dias. Nossos bons momentos
parecem pequenos demais. Aonde eu encontro minha tranquilidade? Eu só tenho
paciência. Aonde eu encontro minha história de amor? Eu só tenho você".
Nenhum comentário:
Postar um comentário