segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Relatório

Se lembro bem, tudo começou em fevereiro. O dia pouco importa. Lembro que eu usava camiseta clara, o clima era quente e as blusas ocupavam espaço no guarda - roupa. As vestes eram leves, o peso era outro. Olhava vez ou outra à aquela pessoa insignificante. Houve dias que sua presença passou despercebida, ele era engraçado, bobão, patético. Seus gestos eram escrotos. Sua voz sempre foi gostosa e delicada. Voz tranquila, calmaria. Março, chegou de ímpeto, revelando novas sensações, as mãos dele eram encantadoras, dedos finos e compridos, mãos delicadas, gélidas. Percebi sua singularidade de forma lenta e gradual, ele era estúpido e isso me intrigou. Dei conta que olhava pra ele, de vez em quando, ele me virava a cara. Abril, eu temia sentir algo por ele; ele pouco conversava comigo, nem prestava atenção em mim. Como eram agradáveis aqueles olhos, claros e puros. Transmitiam sinceridade e segurança. Ele retribuía meus sorrisos, disfarçadamente. Ou talvez, era ilusão boba. Maio, não conseguia mais esconder. Estava óbvio demais. Talvez ele já havia percebido, indiferente ao meu sentimento. Sentimento o qual não conseguia classificar ou nomear. Junho, provas e mais provas. Meu raciocínio estava lento, minha concentração centralizada. Pensar era difícil, ele não saía da minha cabeça. Eu imaginava nossos filhos e netos. Construía castelos de ilusão, como andar na chuva, assistir um filme romântico, ligações na madrugada. Julho, férias da escola, prisão mental. Aprisionou - se de forma definitiva, dominou meus sonhos. Apavorei - me. Pouco lembrava o que era controle. Fazia coisas bizarras pra chamar a atenção. Tinha ciúmes doentio, ai de quem encostasse nele. Agosto, desisti de fugir, larguei todas as dúvidas, todos os medos, e aceitei meus instintos. Minha cabeça estava fraca pouco podia decidir por mim. Fui mais pela emoção do que pela razão. Complicado, nunca havia feito isso antes. Setembro, acostumei - me à ele. Não conseguia ficar um dia longe, precisava ouvir aquela voz. Infinitamente conclusiva, percebi que gostava dele. Irritava - me facilmente quando ele não me dava atenção. Tinha a necessidade básica de senti - lo por perto. Inevitavelmente tudo parecia simples demais. Talvez tenha confundido algo, entrelaçado sentimentos. Lamento pelo final ridículo. Mas eu não faço idéia do que vai acontecer. Poderia eu inventar um final romântico e agradável. De nada adiantaria, pois isso é um relatório e não uma história. Ainda estamos em setembro, o que me resta é torcer e esperar. Vez ou outra ele aparece nos meus sonhos, dizendo que ele está por perto. E que aquele sentimento permanece estável.

Laços

Conheci Diana da 1ª série do fundamental. Era minha primeira escola, eu tinha pavor de professor. Pouco lembro de como nos conhecemos, lembro que ficamos muito amigas. Eu almoçava na casa dela quase todos os dias, fazíamos trabalhos e lições juntas. Nós vestíamos as mesmas roupas, queríamos uma mala com rodinhas. Lembro que um dia indo pro ballet chegaram a pensar que éramos irmãs. Na segunda série resolvemos estudar a tarde, experiência desagradável, não deu certo. Voltamos pra manhã. Nossa amizade pouco mudou na 3ª, era sempre a mesma rotina. Segundas e quartas ballet, terça e quinta GRD. De segunda a sexta aula. Quando ela faltava aula eu ligava pra ela. Me recordo que um dia fui na avó dela, era uma chácara em Irineópolis, um ganso me perseguiu e todas as vezes que ela me chamava para ir junto eu recusava. Na 4ª série nos separaram de sala. Nossa amizade limitou - se aos encontros no ballet e apresentações. Agora ela tem namorado, namora faz um ano. Ela parece feliz, e eu fico tranquila com isso. Vez ou outra nos esbarramos na rua e dizemos um "oi" meio desajeitado. Um "olá" em movimento, andando para não se atrasar. Ela mora na mesma cidade, deve cursar alguma faculdade, pedagogia ou biologia. Foi com ela que brinquei de boneca, e de casinha. Na 5ª série conheci Morgana, ela era bonita, fazia sucesso entre os rapazes, morava numa chácara, saía antes da sala pra não perder o ônibus, pegava um rumo ao Mallon, longe à beça, chegava em casa uma hora da tarde, e em dias de chuva demorava mais. Um dia ela me convidou pra conhecer sua casa. Ela falava tanto de lá, eu curiosa aceitei. Ela dizia que era grande e tinha muitos lugares pra brincar. Tinha uma balança de pneu que eu adorava brincar. Às vezes provocávamos as galinhas e elas corriam atrás. Teve um dia que uma bem gordinha virou almoço, eu a vi morrer. Fiquei apavorada, mas ela foi pro estômago da mesma forma. Subíamos em araucárias gigantes. "Nunca olhe pra baixo" ela sempre dizia. Mimosa era uma vaca que me dava muito medo. Sempre preferia ficar do outro lado da cerca, eles produziam bolinhas de madeira. Sempre que eu ia lá, ajudava a ensacar tais cincunferências. Adorava passar os finais de semana lá, sentindo o cheiro de campo, subindo em árvores. Cheguei a pedir pra minha mãe vender nossa casa e comprar uma chácara, ela sorriu e disse que não. Morgana foi embora pro Reino Unido, conheceu vários lugares: Turquia - Istambul, Espanha -Ibiza , Grecia - Athenas, Italia - Valdagno, Inglaterra - Londres, Alemanha - Berlin. Foi com ela que aprendi a gostar do verde, e me apaixonar por cheiro de orvalho. Na 8ª série mudei de colégio, passei numa espécie de concurso pra estudantes, o nome era Provão. Passei em 1º lugar e ganhei bolsa de estudos. Conhecia algumas pessoas, mas não tinha intimidade com ninguém. No primeiro dia conheci Belarmina, na Educação Física ela perguntou meu nome e eu simpatizei com ela. Na aula de espanhol a professora mandou fazer trabalho ela mandou eu ir na casa dela. A partir de então eu ia até lá toda semana, sentei na frente dela, tínhamos muito em comum. Nossos assuntos eram sobre música e filmes e Harry Potter. Os livros que ela gostava me emprestava. Eu dormia lá quase todo final de semana, me sentia em casa. Jogávamos basquete e ela sempre me dava carona, ela era inteligente e me ensinava muitas coisas. Até eu apresentar um amigo meu a ela. Eles se gostaram e namoraram. Um dia brinquei que seria madrinha do casamento. Ela mora em Florianópolis, passou na Universidade Federal. Algumas vezes conversamos por e - mail. Nós fazíamos planos de morar juntas, estudar no mesmo lugar. Foi com ela que aprendi a assistir filme legendado e a escutar Nickelback. Sinto muita falta dela, se não foi a melhor talvez foi a mais importante. Constantina era parceira de viagens, nos tornamos amigas no volei. Na cidade mal nos encontrávamos, e pouco saíamos juntas, mas nas viagens éramos inseparáveis, cantávamos no chuveiro, ela me contava tudo. Viajar com ela tornou - se rotina, e sem ela as viagens eram sem graça. Jurema era louca, acabara de terminar relacionamento. Triste e magoada não sabia o que fazer. Ela era como uma irmã pra mim, uma irmã mais nova e inconsequente. Ela morava aqui em casa, eu ajudei ela e ela muito me ajudou. Vivemos aventuras adolescentes: delegacia, situações perigosas, bebedeiras, gargalhadas. Passei a escutar música sertaneja por um tempo. Sua presença era indispensável, ela me fazia chorar de tanto rir. Foi com ela que bati a moto. ela casou - se mora no litoral, às vezes vem me visitar ou conversamos por e - mail ou telefone. Sempre pede meus conselhos e manda um beijo pra minha mãe. Ela me ensinou a viver sem limites. Todas me ensinaram algo. Cada uma deixou um pouco de si e levou um pouco de mim. Lembro delas com todo o carinho. Amigos vem e vão. Deixam memórias maravilhosas as quais sempre lembro quando estou triste. Vez ou outra tenho vontade de voltar no tempo, viver de novo. Basta fechar os olhos. A vida é assim, pessoas se afastam outras se aproximam. Lembrarei sempre das aulas de ballet, das corridas no campo, das festas da 8ª série, das viagens pelo Paraná, e das loucuras de Jurema. Sempre tem aquele amigo louco, aquele certinho, o estressado, o mandão. São apenas memórias, laços invisíveis, laços eternos.

domingo, 26 de setembro de 2010

Ausência

É a terceira, quarta vez que tento escrever sobre ele. O que realmente foi difícil; não por eu estar magoada e ferida. Mas se fosse alguns dias antes eu relataria adjetivos, na maioria das vezes, tentaria esquecer os defeitos. Agora, pouco lembro das qualidades. Ele era como um pai pra mim. Um pai rigoroso, enérgico, teimoso, orgulhoso. Eu tinha orgulho dele, e fazia de tudo pra ele ter orgulho de mim. Eu o admirava. Tinha um respeito por ele, incomensurável. O título poderia ser escrito de outra forma: "A última viagem", seria maravilhoso relembrar sorrisos, relatar memórias e eventos. Porém nada de verdadeiro seria escrito. Gargalhadas ruidosas deram lugar aos soluços, diversão deu lugar ao estresse. Dedicação foi substituída por decepção. Não são só de atletas que se constrói um time. Antes mesmo da UNIÃO, respeito e superação é necessário um técnico. Não me refiro ao gênero masculino, tanto faz homem ou mulher. Essa pessoa precisa confiar no time, gostar do time. Um treinador não é aquele que diz que você é capaz; ele é aquele que te dá a possibilidade de ser capaz. Que confia em você, e não desiste de você. Nós jogamos, óbvio. Ele mostra o caminho. Suas ironias eram torturas, suas palavras venenos; que corroía aos poucos. Eu nunca acreditei que ele gostasse de mim. Mas ver aquele olhar sarcástico foi a pior das situações. Um time fragmentado ficou em segundo lugar. Pra alguns pouco vale uma medalha de "prata", para as dez vale muito. Não enfrentamos apenas as advesárias. Enfrentamos um turbilhão de sensações, estresse de convivência, comida ruim, fila pro banho; mas nada comparado a ausência. Ele disse que ia embora, e foi. Não duvidei nenhum segundo. Mas meu coração bobo e infantil guardava resquícios de esperança, ele iria voltar atrás ou então era um pesadelo dos piores. Não, as lágrimas eram reais. Eu precisava de um abraço, e ele queria ir embora. Um flashback surgiu na minha cabeça. Minha primeira viagem, a primeira vez que encostei naquela bola de volei, eu tremia dos pés à cabeça; mas ele estava lá do meu lado; gritando, nervoso, assustador. Mas ele estava lá... Todas as vezes que aquela bola me dava nós, a rede atrapalhava, ou a quadra diminuía de tamanho ele estava lá. Seja pra gritar ou reclamar. Nunca sofri com suas palavras, confesso que elas doíam, mas passavam logo, o que me estraçalhou foi sua ausência. Algumas falaram que era melhor, pra mim não. Ele me ensinou tudo o que eu sei, e muito mais. Não me importa quais foram seus métodos, não quero bancar a "puxa - saco", mas eu gostava dele. Me senti abandona, chorei sim e muito. Minha ultima viagem, a pior. Foi como se eu tivesse perdido mais um pai. Não quero parecer exagerada, todas sofreram de alguma forma. Não quero relembrar palavras, elas machucam são inúteis, não quero transmitir sensibilidade. Depois, acabei por precisar de todas, uma me fazia sorrir, outra me mostrava que não estava só, diretamente ou não, todas as dez foram INDISPENSÁVEIS. Do fim pouco sei; talvez o fim já tenha começado no próprio início, quando ele foi embora dizendo que não queria mais. Quando ele jogou todo o nosso esforço pelo ralo, quando ele esqueceu nossa dedicação, quando ele pisou no nosso respeito. Ele foi impulsivo, sabe - se o porque. Mas isso não importa. Desculpe meu jeito de contar tais acontecimentos, o fim foi difícil. Ainda tenho uma esperança errônea que tudo vai acabar bem. E que essa dor é passageira. Talvez o único fim seja o tempo. Não quero contar no que acredito que vai acontecer. Prefiro acreditar num final feliz. Ele era um pai pra mim, e como o verdadeiro foi embora.


Obrigada pela PRESENÇA das dez.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Talvez

Não existe explicação para tais fatos: sorriso sem razão, pensamentos direcionados, pernas bambas, coração palpitante, mãos geladas, frio na barriga. Pode ser, pode ser...

Gramática

Ela gostava de português, da mesma forma que ele gostava de video game. Ele ia bem em português. Ela sentava atrás dele, só pra ficar reparando nas curvas daquele cabelo, sinuosas e uniformes, que parecia vírgulas muito bem feitas. Ele preocupava - se em qual seria a nova piada que faria a turma toda rir; ele era infantil, ela sabia disso. Mas ela gostava das imbecilidades que ele cometia, entendia a necessidade que ele tinha em chamar a atenção. Ela gostava dele, ou talvez não, do jeito que ele era. Ela sempre foi bem nas matérias exatas: matemática, química, física. Teoria era coisa chata, tinha que pensar muito. Português era meio termo, hora literatura e seus escritores; outra hora gramática e tempos verbais. Eis uma coisa que não entrava na cabeça da garota, ela não sabia se, involuntariamente, era a culpa do cabelo do garoto da carteira a frente ou da professora que não conhecia tintura. Ficou desesperada quando a professora resolveu marcar avaliação. Prestar atenção em pretérito, futuro e presente; era difícil, quando se tinha curvas sinuosas e uniformes a sua frente. Seus pensamentos eram outros, faziam uma reta à frente, literalmente. Ela não se concentrava, dizia a si mesma: "Depois eu copio de alguém, tiro xerox". No dia da revisão foi o mais difícil, ele estava com uma camiseta lilás, ele ficava lindo com aquela camiseta. No fim da aula percebeu a gravidade da situação. Na rodinha da turma, falavam na maldita prova, ela compreendera nada. Pediu ajuda aos mais chegados, todos improvisaram uma desculpa: treino, dança, dentista, mercado; um chegou a dizer que ia na igreja. Ela fingiu descaso, mas estava aflita. Bomba em português sinônimo de uma semana sem computador. Sinônimos matéria fácil, e não tinha ninguém à frente dela que pudesse roubar a atenção. Ele vinha em passos lentos, desajeitado, com as calças lá embaixo, mostrando sua cueca de marca. Ela não conseguia disfarçar o nervosismo, sentia - se patética, ela deveria estar vermelha, será que todos haviam percebido? Ele disse que a ensinaria gramática. Ela aceitou. Na casa dela às quatro. Quatro e meia ele havia chegado, havia trocado a camiseta roxa e isso era bom. Eles se sentaram na mesa, e ele meio sem jeito começou a falar. Ele ensinava bem, mesmo sendo a pior das distrações, ele ensinava bem. No fim ele pediu um exemplo de todos os tempos verbais:
- Pretérito perfeito! Olhou para ela, esperando resposta.
- Eu te amei, desde a primeira vez que o vi. Respondeu, tentando uma declaração fajuta. Ele não prestou atenção apenas continuou.
- Certo. Pretérito imperfeito!
- Eu amava ele, mas ele não sabia. Disse ela com um sorriso, esperando reação do garoto. Reação a qual não apareceu.
- Isso! Pretérito mais que perfeito.
- Eu o amara antes mesmo de amar a mim mesma. Mais uma tentativa frustrada, o garoto só olhava pro caderno.
- Aham, certinho! Futuro do pretérito.
- Eu te amarei por toda a minha vida, e depois dela também.
- Ótimo, presente!
Ela ficou sem graça, olhou para ele. Implorou para que ele ouvisse, não apenas ouvisse; mas ouvisse e escutasse.
- Eu te amo!
Ele sorriu, disse que ela havia aprendido bem, e que era só ela revisar toda a matéria. Era dez na certa. Ela estava aliviada, mas ainda guardava aquele sentimento pra ela. Ele deu um beijo no rosto dela, despediu - se e foi embora. Deixando a garota com seus pensamentos gritantes, porém inaudíveis. Palavras incomunicáveis, ela falava e ele não ouvia. Era isso, e mais nada.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Assim, desse jeito

Me sinto diferente, talvez porque eu goste de coisas diferentes, ou realmente eu seja diferente. Sinto que penso diferente. Converso com colegas preocupadas com a roupa que vai usar na balada sexta, ou com aquelas que estão desconfiadas do namorado. Eu me preocupo com o que eu vou almoçar, e se eu vou ter vontade de lavar a louça. Minha cabeça é inconstante, vez ou outra me preocupo com coisas reais: futuro e todo o resto; carreira profissional, dinheiro, faculdade. Às vezes eu esqueço de tudo, me liberto e penso quem vai ganhar o jogo de futebol quarta - feira. Meu humor é involuntário e imprevisível. Chego a ser má de vez em quando. Minha mãe sabe bem disso. O contrário de muitas pessoas eu não fico procurando me apaixonar, encontrar um amor. Eu espero, não tenho pressa. Busco perfeição, isso é um defeito; eu sei. Eu sou competitiva, não me pergunte o por que, eu nasci assim. Me irrito na Educação Física se eu perco, ou quando tiro uma nota baixa em alguma prova. Minhas ilusões são banais, eu assumo. Meus sonhos são infantis, meus gostos são estranhos. Dispenso pizza doce, sempre gostei de café preto, mesmo sabendo que em grande quantidade faz mal. Eu não consigo dormir de meias, me sinto sufocada. Dificilmente vou acordar cedo e dizer: " - Adoro acordar cedo!". Eu sempre tiro uma sonequinha a tarde. Meu cabelo é cheio de pontas duplas. Quando estou nervosa ou/e ansiosa tenho o hábito de roer unhas. Quero estar sempre certa, não gosto de assumir erros; o que, de fato, é infantil. Brigo com meu irmão todo o tempo, inclusive logo começará uma nova discussão por causa do computador. Mas quando eu quero assistir um filme, ou eu gosto de uma música ele é a primeira pessoa que eu vou correndo chamar. Eu vou muito mal em redação no colégio, gosto de matemática quando entendo a matéria. Me arrependo de muita coisa, muita mesmo. Poderia ficar aqui horas escrevendo meus arrependimentos. Entretanto aprendi, tarde demais, que ficar pensando no passado só atrapalha o presente. Sempre vão falar de você, dificilmente falarão bem. Você pode fazer cem coisas certas e uma errada; sempre lembrarão da coisa errada. Eu tenho medo de amar, nunca escondi isso. Tenho exemplos demais: amigas, primas, colegas. De que o amor é mais uma ilusão do que um sentimento. Acho que nunca amei de verdade; ou talvez não tenha percebido. Gostar das pessoas é fácil, cada uma tem alguma coisa de bom, que pode ser aproveitada. Exigir demais dos outros ou perceber cada pequeno defeito do próximo implica que você não gosta de si, e vê nos outros os próprios defeitos. Beleza nunca foi e nunca vai ser o mais importante. Atração é temporária, ela vêm deixa louco e vai, e só. Uma pessoa sempre vai ser importante pra você enquanto você ainda lembrar dela. Animais de estimação fazem bem, te dão uma certa responsabilidade. Palavra que você vai ouvir muito ainda. Eu tenho preguiça de estudar, deixo todas as lições pro ultimo dia, às vezes começo a fazê - las uma da manhã. Mas sempre as faço. Seria mentira se eu dissesse que não me importo com o que os outros pensam ou dizem de mim. Mas eu aprendi a conviver com isso. Não tenho muita paciência com pessoas esnobes, elas me irritam da cabeça aos pés. Tenho facilidade em receber ordens, quando elas me convém. Costumo errar os tempos verbais nos textos. Tenho essa dificuldade desde pequena. Queria mudar meu nome, às vezes surgem discussões sobre isso, entre eu e minha mãe. Sempre subi em árvores, sempre esfolei o joelho, sempre brinquei de pega - pega e bets. Nunca me preocupei com roupa. Até uma vez eu ir de vestido no aniversário de uma vizinha e o irmão dela espalhar pra todos da festa a cor da minha calcinha, a partir de então nunca usei saia ou vestido sem um calçãozinho por baixo. Adoro sorvete. Tenho medo de escuro. Dias tempestuosos me deixam nostálgica. Penso no meu passado todo o tempo. Isso é frustrante, pensar no que poderia ter sido e não foi. Quando faço comida nem o cachorro aproveita. Minha fruta preferida é maça. Gosto do barulhinho que faz quando se morde ela: "CRACK". Ando com todas as incertezas de pessoas normais, mas me sinto diferente e só.

Distância

Sinto sua falta, todo o tempo. Quero você aqui e agora. Ter você por perto me deixa contente; não ter me deixa triste. Pensar em você é meu consolo; é o que me mantém. Lembro das risadas do domingo, fiquei pensando nelas, ficava rindo pelos cantos sozinha; por vezes me brotavam risos altos. Vez ou outra alguém se atrevia: " - Por que tá rindo tanto garota?". Meio encabulada pela falta de controle respondia: " - Me lembrei de uma coisa". O ato se repetia, e as pessoas pararam de tentar me entender. Meu riso se tornara constante, o espelho acostumara - se àquelas rugas perto dos olhos ocasionadas pelo, desajeitado, sorriso. Sorriso o qual só é possível pela sua existência. Pensar em você é bom, lembrar de você me faz sorrir. Quando eu estou com você o tempo passa rápido, sinto que as horas não perdoam; andam mais depressa pra eu ter você longe novamente. Quando você está longe o tempo é indiferente, perco todo ele pensando em você. Lembro das conversas de sábado, conversas gostosas e divertidas, sobre assuntos infantis e sem nexo. Às vezes penso tanto em te dizer alguma coisa, coisa banal, só pra te fazer sorrir; coisa que eu queria ter lhe dito antes, mas pelo impulso do papo, pela distração da conversa acabo esquecendo. Nossas conversas são inconstantes o que é bom. Hora falamos sobre filmes de ação, desenhos infantis, videos do youtube; outra hora falamos sobre signos e horóscopo. Nada combinado, tudo apenas acontece. E eu gosto disso. Por mais que você esteja distante sempre sinto tua presença. Tudo me lembra você. Desde a novela que passa as seis que eu sei que você odeia; até o jogo de futebol que você assiste. Você é imprevisível, fica oscilando entre me surpreender e me decepcionar. Não me importo, meus pensamentos são seus, meu sorrisos são seus. Quanto maior a distância entre você e eu, maior a saudade (diretamente proporcionais). Mas os risos são mais frequentes, permanecer alegre se torna fácil. Você me faz bem, perto ou longe. Obrigada.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

domingo, 12 de setembro de 2010

Errado

Por mais que eu fuja, elas me perseguem: decepções. Eu queria poder dizer que não me importo. Posso até disfarçar, mostrar descaso, indiferença. Mas por dentro tudo dói. Me sinto enganada, maltratada, sozinha. O que se faz, quando não se sabe o que fazer? Quando tudo que já foi certo e bom, parece errado e torturante. O que se faz quando não se tem ninguém pra confiar? Quando não se pode confiar em si próprio. Minha dor é frequente, vez ou outra ela me dá um descanso, fica em intervalo. E cá estou perdida, solitária e triste.

sábado, 11 de setembro de 2010

Sentimento

Me faz pensar alto, voar. Imaginar situações românticas, embaraços bobos. Me faz acreditar, mesmo que por um segundo, que eu posso amar.

Onde está?

E foi isso que aconteceu. Eu perdi o chão. Não porque você não estava lá, mas foi exatamente por você estar. Me mostrando que mais uma vez que eu me enganei com os meus sentimentos. Mostrando que eu não tenho a capacidade de amar. E agora? Eu não sei o que fazer. Cada dia me sinto menos humana, e mais fria. Até aparecer alguém, que eu realmente goste, que eu realmente sinta falta. E eu espero por você todos os dias. Fico imaginando como você pode ser, e se você existe de verdade. Em dias de solidão eu até questiono sua existência. Mas você precisa existir, pra eu ter certeza que sou humana, e que eu tenho capacidade de amar, bem como te amar. Eu preciso acreditar em você, pra poder acreditar em mim. Por favor, não demore muito. Minha esperança está acabando. E minha humanidade continua duvidosa. Não demore, eu quero te conhecer. Apareça pra mim, me mostre que você existe. Faça eu sentir amor, faça eu amar você. Eu quero, eu preciso saber como é o amor. Me mostre o que eu não conheço, faça eu sentir o que eu não sinto. Me dê humanidade.

Tempo ruim

Nuvens carregadas de lágrimas se aproximavam. Ia chover.

Vaga - lume

O que tenho são roupas velhas e algumas moedas no porta - jóias. Sinto que não tenho nada, além de pequenas idéias. Que acendem e apagam como um vaga-lume.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Curioso

O amor é engraçado: primeiro a gente pensa que nunca vai amar, depois, a gente ama e pensa que o amor é eterno, e quando o amor acaba a gente pensa que ele nunca existiu.

Bagunça

Eu não sei o que quero; mas sei exatamente o que quero. Confuso? Explico. Quero me lembrar desse sorriso tímido que insiste em sair pra fora. Desse cabelo despenteado que indica um "tô nem ai", quero me lembrar dessa sua camiseta branca com alguns detalhes em preto ou azul escuro; tanto faz. Quero lembrar desse olhar penetrante e misterioso que não revela nada a ninguém. Quero você, com toda a sua existência singular. Quero furtar sua atenção só pra mim. Quero sua indecisão causando - me um furacão de idéias. Quero lembrar do seu perfume durante a noite. Não sei o que quero realmente. Mas sei o que quero. Não obstante suas particularidades não me bastam. Eu quero mais, sempre mais. Eu quero mais do que eu já possuo. Eu quero mais, mais do que eu já tenho. Por favor me dê um pouquinho mais, mais de você...

Segredo

Tenho um sorriso tonto, particular. Distribuo ele nas horas mais importunas. Ele aparece sem ser chamado, domina toda a minha face; domina todo meu ser. Você pode tirar meu coração, e até minha alma. Mas meu sorriso você nunca vai tirar.

Reflexivo

Tenho vontade de tirar essa agonia nesse instante, agora. Respirar fundo não adianta mais. E aquele aperto no peito se torna insuportável. Não existe escolha certa ou errada. Só existe o que é melhor pra você. Tenho vontade de chorar e liberar toda essa angústia. Mas as lágrimas não saem. Nem a música melancólica me tira dessa aflição.

Vontades

às vezes eu tenho vontade de apagar tudo, começar do zero, como uma redação… escrever, apagar, reescrever. sem preguiça de fazer de novo e melhor. ler a próxima linha com emoção e com orgulho. fazer diferente, fazer melhor. tenho vontade de desistir e não sei do que, apenas desistir. tenho vontade de tomar um banho de chuva, sentir frio, e depois tomar um banho quente, tenho vontade de sair de casa, de fugir, e com certeza terei vontade de voltar. tenho vontade de chorar aos soluços e me sentir livre de toda melancolia, tenho vontade de sorrir, gargalhar, sentir dor na barriga de tanto rir. tenho vontade de bolo de chocolate hoje, de laranja amanhã. tenho vontade de dormir, sem ser acordada, de escutar apenas o relógio, de sentir o silêncio de permanecer sozinha, tenho vontade de amar, de sentir um abraço, retribuir um beijo, sentir ciúmes, saudades, tenho vontade de sofrer por amor, de ver lágrimas caindo por uma dor que nunca senti, tenho vontade errar, de aprender com o erro, de superar. tenho vontade de assistir filme com os amigos, relembrar uma cena engraçada durante semanas. tenho vontade de ficar parada observando, uma nuvem se mover, uma borboleta bater as asas, uma folha cair, uma carro passar. tenho vontade de fazer nada, vontade de fazer tudo, e acabar não fazendo nada. tenho vontade de sentir medo, daqueles que trás de brinde um calafrio. tenho vontade de comer, engordar, me sentir gorda. tenho vontade de ser adulta, ser responsável, trabalhar. tenho vontade de voltar a ser criança, não saber escrever, cair de bicicleta. tenho vontade do verão, roupas curtas, sol. tenho vontade do inverno, muito frio, vento gelado. tenho vontade da noite e sua escuridão. tenho vontade do dia. tenho vontade de sentir vontade.

Querido

Foi você o culpado dessa minha insegurança. Foi você que fez eu temer meus sentimentos, e fugir deles. Foi você que me deixou tão realista. Foi você que me fez sentir ridícula. Foi com você que aprendi que se pode sim, mentir sobre os sentimentos. Foi você que me fez enxergar que se entregar não vale a pena. Foi pra você que meus abraços foram sinceros. Foi com você que aprendi o significado de um beijo. Era de você que eu sentia saudades a noite. Foi o seu perfume que aprendi a gostar. Foi você a causa da minha insônia. Era de você que eu lembrava quando assistia um filme romântico. Me lembro que eu já senti amor. E foi por você. Me lembro o quanto eu sofri, quando esse sonho acabou. E agora permaneço sozinha. E sozinha quero sempre estar. Obrigada por me ensinar que a vida não é um romance. E que eu não sou a personagem principal, e que nem sempre tudo acaba bem. Agradeço por me mostrar a verdade das coisas. E por me fazer sempre ficar com um pé atrás. Eu não te falei. No, I never told you. O quanto você foi importante pra mim. Mas agora eu quero distancia, de tudo e de todos.

Você ainda não sabe

Eu sei que não é amor, mas eu sinto algo por você. Algo desajeitado, algo que controla reações. Algo escondido, disfarçado. Talvez a palavra certa seja possessão. Aquele ciúme bobo quando você olha outra garota. Uma decepção quando você não escuta o que eu digo. Às vezes me vejo patética, chamando sua atenção de todas as formas. Porque eu quero ela só pra mim. Quero seu sorriso só pra mim, suas piadas só pra mim, seus abraços só pra mim. Você só pra mim. Isso é passageiro. É como um brinquedo que você diz que é teu, e depois deixa jogado, num canto. Mas ele continua sendo teu. Sim, é egoísmo.Tratar você como um objeto. Querer que você seja meu, cobiçá - lo. Há algo em você que me faz refletir, que me deixa pensando durante horas. Que me causa uma angústia. Que me torna fraca. O fato é que eu quero você só pra mim. Mas no fundo eu tenho você. Em pensamento, em memória, em lembrança, em sonho, você é meu querendo ou não. E nem sabe disso. Você é meu desde o amanhecer, até o anoitecer. Você é meu quando chove, ou quando faz sol. Você é meu quando penso em você. Você é meu, quando está perto, e mesmo estando longe. Você é meu, porque domina meus pensamentos. Não sai da minha cabeça. Você é meu todo o dia, e toda a noite. E enquanto existir uma unica lembrança sua em mim, você ainda é meu. Mesmo fugindo, mesmo não querendo, mesmo não sabendo você é meu.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Oscilação

Às vezes fico pensando no que não foi, mas podia ter sido. Destruo o tempo, com pensamentos inúteis. Pensar em você é normal, não pensar é difícil. Eu gosto de você, mais do que eu queria. Talvez você nem saiba, ou talvez eu não consiga mais disfarçar. Quanto tempo eu perdi tentando me enganar? Tentando me convencer que eu não gosto de você. Eu ainda espero isso, acredito que o tempo mudará o que eu sinto. É a minha ultima esperança. Da mesma forma que eu quero você, eu não posso te querer. Me lembro a primeira vez que o vi, achava você patético e bobalhão, hoje você é tudo o que eu quero. Quero mas não posso ter. Eu fujo de você, mas o que eu queria é estar perto. Tento te esquecer, mas você não sai da minha cabeça. Cedo ou tarde eu vou me render. Não sei o que pode acontecer, minha sanidade é temporária. Ainda penso, mais do que sinto. Logo pensar será coisa rara.

Facilidade

Como seria fácil, se eu pudesse escolher. Seria mais fácil: gostar de quem gosta de mim. Todos queremos isso, poucos conseguimos. Não existe fórmula pro amor, acontece, simplesmente acontece. Diferente do que todos pensam, eu tenho facilidade em gostar das pessoas. A dificuldade é aceitar meu sentimento, é admitir que ele existe. Essa história de que amor só acontece uma vez na vida me convenceu. Eu procuro a pessoa certa (erro bobo), estupidez, não existe pessoa certa. Muitas vezes a pessoa certa é a errada, aquela que não tem nada a ver com você. Não é difícil perceber que a pessoa certa não é aquela que faz tudo o que você sonha, é aquela que você ama; simples. É aquela que vai te tirar o sono, que vai dominar sua cabeça, é aquela pessoa que vai ser dona do seu coração, pra sempre. Nem sei quantas pessoas eu perdi, por medo. Quantas pessoas maravilhosas eu joguei fora. Fico esperando algo, cuja existência é duvidosa. Eu quero sentir de verdade, é tudo o que eu quero. Nada de retribuir sentimentos, dever carinhos, pagar amor - eu não - eu quero sentir amor. Senti - lo da cabeça aos pés. Quero que apareça a pessoa certa, e se não aparecer eu continuo esperando. Eu não tenho pressa. Facilidade é pra aqueles apressados, que vivem pela metade, porque é mais fácil.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

?

De que adianta palavras, tão belas, sem fundo de verdade. Amar você tá complicado demais.

Difícil aceitação

Todo mundo tem algum talento. Pode ser aqueles que chamam a atenção, ou aqueles que acalmam as crianças. Utilidade ou exibicionismo, não importa, todo mundo tem talento. Existem pessoas que tem talento de fazer a gente sorrir, quando nossa intenção era chorar. Tem aquelas que tem talento de fazer aparecer um lindo sol, quando o tempo é pra chuva. Algumas pessoas tem talento pra amar, outras pra tentarem e nunca desistirem. Tem talento pro mal, claro que tem. Mas tem muito talento pro bem. Não importa o talento, cada um tem o seu. Desde craque de futebol até aquele que amassa a latinha de cerveja com a cabeça. Já o meu talento é meio exótico, sem sentido, inútil. Eu tenho facilidade em magoar e/ou irritar os outros. Isso não é defeito. Defeito é minha preguiça, minha ansiedade, minha indecisão, meus medos bobos, minha infantilidade, minhas buxexas enormes, meus olhos desiguais - um maior que o outro - meu cabelo levantado do lado esquerdo, minhas sobrancelhas falhas, minhas mãos enormes, sem falar na teimosia e estresse. Isso é defeito. Quando estou triste ou magoada digo palavras errôneas. Sempre fui assim impulsiva. Quando você pensa depois de fazer algo, magoar se torna rotina; e pedir desculpas casualidade. Irritar também não é difícil, quando se tem a vontade louca de chamar atenção. Repetir uma coisa cinco vezes pode, obviamente, irritar alguém. Dar risada três dias depois da mesma coisa também. Tirar sarro de algum coleguinha pode magoar e irritar ao mesmo tempo (falta gravíssima). Se eu fosse uma garota quietinha talvez meu talento fosse tocar piano, ou pintar paisagens. Mas eu nasci impulsiva e abobada. Às vezes meus amigos dizem: "Já deu Raylla, já perdeu a graça!". E eu insisto em rir. Patética. Não sou movida a corda, tenho uma "bateria" que nunca acaba. Tenho defeito de fabricação, nasci sem o botão "OFF", ligo e não desligo. Dizem que eu não me controlo, sou repetitiva, e minha risada dá medo. Esse meu talento de irritar pessoas incomoda muita gente. Intensidade é esse meu talento, de querer ir fundo em tudo. Ir até o fundo, até não voltar mais. Existem poucas pessoas que me amam e muitas que não me suportam. Fazer o que?! Mudar por elas? JAMAIS. Porque da mesma forma que eu aceito meus defeitos, aceito meus talentos.

Afaste - se

Eu estava pensando nele (de novo). Incrível como ele tem a capacidade de atormentar até mesmo meus sonhos. Não sei o que é pior, saber que ele não gosta de mim; ou saber que eu não consigo esquecê - lo. Minha mente está cansada, clama por descanso. O que vai acontecer se eu perder o chão? Se eu perder a razão? Se eu me perder... Ele foi embora e levou toda a minha alma. E o que sobrou foi pouco. Ele está longe, mas continua perto. Perto demais.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Fato

Sempre tem aquela pessoa que terá seu coração pra sempre!

Eu acreditei

A quem nós queremos enganar? No fundo eu sei que gosto de você. E você sabe que gosta de mim. Nós somos patéticos escondendo esse mesmo sentimento um do outro. Fazendo competições de quem vai "gostar" de outra pessoa primeiro. Quem vai esquecer um do outro antes. Ainda guardo seus presentes, ainda guardo seu perfume, ainda guardo as lembranças. Lembro dos dias de chuva, onde era só você e eu. E as gotas que encharcavam nossos cabelos e rostos. Lembro do teu sorriso nas horas mais importunas. Ele invade toda a minha existência, todo o meu ser. Lembro das brincadeiras que me faziam tão bem. Saudade: é a prova que eu gostei de você. Mas eu me apaixonei por estar sempre só. Ando assim: pensamentos na cabeça, lápis e papel nas mãos, e você no coração. Vez ou outra pessoas me fazem tremer de medo. Sempre me disseram: - Amar dói! E eu acreditei. Sempre fui assim, medrosa mesmo! Lembro que na infância preferia um mês de castigo à uma cintada bem de leve. Injeções me faziam espernear; lembro das vacinas que até hoje não tomei. Engraçado. Lembro que quando eu brincava de pega - pega, esconde - esconde, alerta; sempre saía ferida. Meus joelhos sangravam, mas eu continuava brincando. Imaginar uma dor antes de senti - la é apavorante. Eu acreditei quando me falaram que ia doer. Uma pena não ter acreditado em você: quando você disse que gostava de mim de verdade, quando você me abraçava, quando você me beijava. Eu não acreditei em nada disso. E agora eu sinto falta de tudo em você. Sem você. Preciso perder o medo de injeção, vacinas são importantes. Preciso perder o medo de amar, para finalmente poder te amar.

Desconhecido

Ele não sabia que ela gostava dele. E ela gostava tanto...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Com muito pouco


Não sei por que me contento com tão pouco. Você não precisa tocar em mim, você não precisa me dar atenção, você não precisa me dar um beijo. Você só precisa estar perto. Você não precisa fazer mais nada. Isso basta.

Me contento com o seu olhar profundo e intenso, não precisa ser direcionado a mim. Só de saber que eles olham alguma coisa me basta. Me contento com o seu cheiro, de amaciante com sabão em pó; me contento sentindo ele a metros de distância, não me importo, basta eu sentir. Me contento em ouvir sua voz pelo telefone, confesso que pessoalmente é sem comparação; aquele som agudo e estridente, som o qual jamais esqueceria ou confundiria, queria ouvir sua voz para sempre, todo dia; e juro, não me cansaria. Me contento em fazer você sorrir, nem que seja um sorriso disfarçado, de canto. Não exijo gargalhadas barulhentas, um sorriso me basta. Daqueles sinceros que valem mais do que palavras. Me contento com suas palavras soltas, não peço sentido lógico, nem busco compreensão, ouvi – las me basta. Me contento a beleza escondida em você; nada diferente, mas também nada igual. Uma beleza profunda, escondida, disfarçada. Que chama a atenção de poucos, uma beleza que precisa ser encontrada; uma beleza natural, minuciosa. Me contento com sua pele macia, e gelada; que implora por algo que a aqueça, que a proteja. Me contento com sua falta de observação, pela maneira como não aprecia o dia, ou a lua. Pela maneira sutil de não prestar atenção em mim. Me contento com o seu jeito de ser. Porque se não fosse exatamente como é; eu não escolheria você.

Me contento com pouco. Não forço nada, não obrigo nada. Eu só espero. Porque eu quero que seja sincero, que carregue verdade. Que seja único, quase perfeito. Eu espero o momento certo. A melhor situação. Eu espero, e não canso. Tenho esperanças vazias, esperanças errôneas. Espero sentada se preciso for. Eu espero você, e espero por você. Aguardo na esperança de que no final valha a pena. E se por acaso eu me enganar, se eu estiver esperando a pessoa errada, não faz mal. Eu me contento com isso. Me contento com a lembrança de momentos, de sorrisos; me contento com a lembrança mais pura e perto da felicidade. Me contento com o sentimento que sinto por você. Ele me basta. Ele me deixa viva, me fortalece. Não tenho mais medo de errar. Eu me contento com o erro. Pois ele nada mais é que um aprendizado, um ensinamento. Me contento com a incerteza, porque ela me dá a dúvida, tudo que é duvidoso é obviamente sensacional. A dúvida nos deixa inseguros, mas ao mesmo tempo nos dá coragem. É como enfrentar o medo. Andar com os pés descalços e sem rumo. É não ter certeza, é querer saber o que não se sabe. É buscar respostas. É ultrapassar limites, é surpreender – se. Me contento com a ilusão, pois é dela que surge os melhores beijos, as melhores declarações, os abraços mais sinceros. Tudo começou de uma simples ilusão. Não veja a ilusão como uma coisa má! Ilusão é imaginar algo, construir pensamentos. Mas também não se iluda. Não se perca no mundo das ilusões. Me contento em fechar os olhos e pensar em você, ter a falsa sensação que você está pensando em mim. Acreditar que ao menos um minuto do seu dia, você pensa em mim. E só for apenas um minuto, isso me basta. Me contento com amizade, afinal a amizade é o amor que nunca morre. Amizade é o sentimento mais puro e eterno que se possa sentir. É algo que não se corrompe, não sofre mutações. Não muda do dia para noite. Amizade é amor, amor com respeito, com confiança e até com um pouco de ciúmes. Me contento com coisas uniformes, me contento com rotina. Me contento com a minha rotina de esperar você. E você não precisa fazer mais nada, basta você estar perto. Basta eu sentir sua presença. E isso me basta.