quinta-feira, 28 de abril de 2011

eu assim

Parei de escrever. A ansiedade vem me consumindo há dias: bloquiando minha mente e meu coração. O banho é quente mas não ajuda. É tanta vontade de passar o tempo, é vontade que o tempo volte. Enquanto o presente me parece um completo estranho.

Voltarei em breve - prometo.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Promessa

Que vontade de você: pode se aproximar, contanto que traga sorrisos.


Talvez seja uma ilusão gostosa, essa de que nada vai nos separar. Os dias vão chegando, ou vão fugindo. Não consigo te abandonar nem mesmo em pensamento. Se eu pudesse mastigar você, como mastigo chocolate. Teria seu gostinho pra sempre, em mim.

domingo, 24 de abril de 2011

o que deveria ser dito jamais foi dito

Pedido (informal) de divórcio.

As memórias são heranças compartilhadas, cada um fica com suas preferidas.
A amizade é um relacionamento.

Nota: Nunca escrevi coisas diretamente pessoais. Ficar expondo a vida, e depois ficar reclamando que os outros comentam e fofocam sobre suas particularidades, é hipocrisia. Existem momentos que tentamos ajudar as pessoas que gostamos de uma forma tão verdadeira que deixamos mágoas e ressentimentos pra trás. Esquecemos discussões, palavras, decepções. Esquecemos o orgulho.

O que resta a mim, é lamentar o dia em que deixei meu orgulho na gaveta mais próxima e fingi compreensão. Algumas pessoas demoram a crescer, demoram tanto que nunca crescem. Essas coisas que vida gosta de fazer conosco, deveria servir como aprendizado, não como revolta alheia. Não reconhecer amigos de verdade, é um sinal de insanidade. Dissimular amizade é coisa para Hollywood.

Eu rotinamente diria que entendo, não mais. Não entendo como as pessoas descartam amizades, não compreendo a ilusão de complô. E todas as vezes que engoli os mais gordos e robustos sapos. Que entreguei minha dignidade de bandeja por acreditar numa amizade que - por hora - me parece tão ilusória e ridícula.

Crescer é perder tanta coisa, é abrir os olhos. Depois de grande, ou já crescido, percebe - se que amigos são raros como sol de abril. Chega um momento na vida, que precisamos e escolhemos pessoas verdadeiras pra estar perto. Pessoas que te façam sorrir, de graça. Pessoas que te escutem sem pedir nada em troca, pessoas reais.

Pedir divórcio é algo difícil, quebrar um laço como amizade é complicado. Há de quem falará, que de fato a amizade nunca existiu. Eu discordo, lembro dos momentos com todo o carinho. Guardo na caixa mais preciosa as alegrias e confidências. A vida separa as pessoas de alguma forma ou de outra. O que resta é a essência e as lembranças.

Espero agora - e sempre - que tenha doces lembranças e guarde os sorrisos.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Desistência ou Coragem

E pensou no assunto: não existe amor, sem um amor.

Estava cansada e perdida. Tinha uma idéia, mas não tinha a solução. E o medo andava perto das idéias insanas: paixão ou loucura. Fugir era mais uma palavra que trazia conforto. Era tão difícil aprender vez em quando. Chutava a solidão quando ela incomodava. Mas ela voltava, e vinha pra ficar. Nunca descobriu as respostas. Nunca acertou as perguntas. Era lutadora de tristezas e pintora de sonhos. Buscava a paz e a cura onde se buscam doces. E toda a melancolia permanecia de prontidão, esperando brechas, infiltrando nos lugares quase fechados. Crescia aos poucos, perdia muito. Viver? Um dia. Sonhar? Sempre.

Eu não quero mas preciso

Quantas vezes você se pegou pensando nisso? Quantas vezes eu me peguei pensando nisso?


Libero as palavras, e elas saem e agradecem. Saem teimosas e rebeldes, não pedem permissão, mas agradecem. É tanta coisa que se perde, pelo caminho. É tanta ilusão arrancada, pela estrada. Desculpa se minhas palavras são confusas. Elas são minhas até o momento que as liberto, depois não respondo por elas. Elas se agrupam sem ordem, e se multiplicam sem responsabilidade. Por vezes dizem tanto, por hora dizem nada.

Me perdi na confusão de querer mas não poder, ou não querer mas precisar. Mesmo que não pareça óbvio, tudo o que eu quero eu preciso. Ou tudo o que eu preciso eu não quero. É difícil pensar direito, quando o coração vai contra o sensato. E a confusão dos meus dias, se resume a isto. A esta porcaria que chamam de vida. É difícil ver a coisas belas, quando as feias e nojentas se escancaram à você. É difícil ajudar lá fora, quando aqui dentro pede ajuda.

Eu não quero mais preciso de tanta coisa. Espero na cadeira, pelo dia em que valores importem mais que status, e sonhos sejam vividos. Aguardo sem pressa pelos dias de descanso, do corpo e da alma. Viver é envelhecer, e perdemos tantos dias buscando precisar das coisas, que perdemos - sem querer - as coisas que queremos. A gente se vicia naquilo que faz mal, e se perde na vida. Se perde no amor. Se perde em si mesmo. Se encontra quando der, quando puder. Olha o espelho e pergunta: "- Quem é?" O bonito se torna feio. E o feio vira bonito. Aceitar é o que você aceita. E viver é o que você tenta. Sobreviver, talvez.

Eu quero mas preciso aprender a viver.

Dualidade

Eu gosto de correr, mas gosto de parar.

Às vezes a gente se perde. Se perde no meio de uma mata selvagem sem telefone público ou lan house, sem comunicação, você e a solidão. E existem momentos que a paz e a cura só são possíveis com a solidão. Às vezes a gente se encontra, não se encontra? No supermercado fazendo compras com o – você imagina – amor de sua vida. Distribuindo sorrisos de graça, flutuando em nuvens de algodão. Essas circunstâncias de se perder e se achar são calorosas e provisórias. Mudança temperamental é mais comum que trocar as roupas de baixo. Como amar e odiar. Invejar e admirar. E quem não gosta de paradoxos?

Você sempre tem a escolha, pra fazer você dormir mais tarde, todos os dias. E se enxergar no espelho repleto de olheiras fundas e tenebrosas. Você sempre tem o "A" e o "B" pra poder escolher o que é melhor. Muitas vezes o melhor é a opção errada. É aquilo que não pode ser escolhido em hipótese alguma. Cabe a você decidir o que se deve e o que você queria fazer. Bom seria se você fosse personagem de um filme, ou livro. E o narrador dissesse pra você comprar uma passagem pra qualquer lugar, e você como boa personagem obediente o faria. Porque a conta no banco estaria cheia, sua casa seria na praia, você teria um amor, e a policia aceitaria seu sorriso como sinceras desculpas por estacionar em lugar proibido. Mas a vida é cheia de deveres, e às vezes só de deveres. Seria bom ter um final de semana pra comprar chocolate e ficar numa praça observando a vida de fora. Nossos conflitos internos são baseados em coisas que entram em conflito, confuso? Explico. Quando você não pode ter duas coisas que você quer, você tem essas coisas em conflito. E consequentemente ficará em conflito também. Escolher nunca é bom, porque vez por outra devemos escolher o que, acreditamos, ser o melhor pra gente. Mas e quando o melhor é aquilo que você não quer?

Todos os dias, de todos os anos venho escolhendo através do coração, o que não tem trazido bons resultados. É até estranho eu confessar isso. A dualidade me deixa confusa e insegura. Sorvete de chocolate ou morango? Chocolate. Mas depois fico imaginando como teria sido o gostinho do sorvete de morango. Como é difícil escolher quando não se sabe o que se quer, nem para aonde se vai. Escolher é por vezes renunciar algo de bom, algo de belo. É disfarçar sorrisos e de certa forma crescer. Quando a gente sabe o que é melhor pra gente. É porque a gente cresceu um bocado.

Vivo nessas indecisões que me consomem. Meu coração pede descanso. São tantas as coisas que definem tantas outras coisas. É pouca certeza pra tanta incerteza.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

aumentar também é diminuir

Não que eu não seja feliz agora. Afinal, eu tenho tanta história pra contar. Que se um dia me batesse um vento de rebeldia, seria narradora da minha própria história: onisciente e onipresente.Escreveria um livro de no mínimo algumas centenas de páginas.

Mas minha infância é marcada por sorrisos de criança, que se não fossem de chocolate, seriam de açúcar. Fui daquelas crianças que se quebravam, mas permaneciam inteiras. Cair é aprender, não é? A gente cresce e continua caindo, só os tombos é que mudam. Era menina obediente, que inventava prazeres e brincadeiras. Comia o bolo todo e não só a cobertura. Era teimosa e tonta. Brincava sozinha de bonecas, brincava de cuidar - às vezes a gente sente necessidade de cuidar. Quantas vezes você pediu um cachorrinho, só pra cuidar dele?! Ou mesmo que seja um bichinho virtual - meio chaveiro -, também pra dar carinho e cuidados - me sentia um pouco menos sozinha com as bonecas. Que por vezes falavam comigo e pediam colo ou mamadeira. Os momentos mais divertidos - creio eu - foram aqueles que compartilhava um livro com uma voz, no rádio. Achava uma delícia livro - áudio com narradores que me faziam rir e sonhar. Comecei a gostar de ler, depois desse período solitário e mágico. Cheio de devaneios e histórias. A minha preferida era: A Fada Pluminha, que balançando as plumas do seu travesseiro, fazia a neve cair, em todo o mundo. De alguma forma, bem direta, essa história e tantas outras fizeram parte da minha. Me deixando descobrir quem eu era, e quem sou. Me sinto um pouco responsável por mim. Mas não completamente. Se não fossem as histórias, talvez seria eu uma devoradora de bolos. Ou então pessoa solitária cheia de bonecas, pedindo carinho. Mas foram os livros que me ensinaram a crescer, e me fizeram enxergar um mundo feio e cinza. A infância é tão bonita, porque você esquece o mundo, mas o mundo não esquece você. E ela acaba quando você - meio que sem querer - lembra que existe um mundo não tão colorido fora da sua casa, mas dentro de você. Porque não só você vive no mundo, mas o mundo vive em você.

Acho - e tomara não estar enganada - que foi durante a infância que fui mais feliz. Foi nesse período ligeiro e cheio de lições que trouxe meus sorrisos mais sinceros e alegrias mais completas. Crescer é perder. Perder inocência, esperança e bolos de cenoura. Quando crescemos o que nos restam são as lembranças - as poucas - que ainda guardamos com carinho, no bolso ou na caixinha de jóias. Recordamos das brincadeiras mais idiotas e das surras de domingo. Dos bifes que roubamos pra dar aos cães. E dos choros que não serviram de nada. A infância é repleta de sonhos de piratas, e beijos de maça - do - amor. De brinquedos e gargalhadas. O que nos resta é esperar que nem mesmo as memórias nos abandonem.

Lembro todos os dias - com carinho - dos sorrisos de criança.

Porque escrever

Então escrevo, pra arremessar palavras pra outro canto, dizendo: “- Eu não quero vocês aqui não!” Elas (as palavras) fingem que acreditam, mas sempre voltam menos pesadas, confesso. O que me acompanha também é a vontade de desabafar, e o que falta – muitas vezes – é coragem, ou confiança para o desabafo. Guardo lembranças que me destroem, que me matam um pouco mais, todos os dias. Tenho palavras dolorosas que gostam de ficar. Nos bolsos - ou na manga – sentimentos e muitos ressentimentos. Tenho marcas eternas – e quando me refiro à eternidade, você deve acreditar nisso – que aparecem logo depois do café, todas as manhãs. Tenho saudades de momentos e sorrisos. Nas costas, meio esquecida e apertada, a nostalgia junto com: tristeza, medo, ilusão, entre outros. Meu coração é jovem, conheceu o amor há pouco. Se encontra extasiado, impulsivo, apaixonado. Escrevo pra liberar a energia dos dias, na esperança que alguém me ouça, ou me leia. Escrevo sem razão tudo que meu coração grita e a alma canta (sussurra). E são nas palavras que encontro meu desabafo, meu divã. São nelas que me encontro, me perco e me acho em instantes.

A linguagem é – antes de qualquer coisa – uma comunicação consigo (e comigo) mesmo.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Descrevendo momentos

Era sonhadora, sabia. Meio que por coragem, meio que por covardia, tinha medo de escuro, mas não tinha medo da morte. Tinha um sorriso torto que vez ou outra trocava de ângulo, dando -sem querer- um charme para um rosto redondo e inchado. Havia um coração de criança, daqueles bem bobos que abrem e fecham em qualquer ocasião. Sem exigência aos que entram, e tristeza aos que saem. Mesmo que não fosse, era jovem. Perfil de quem, meio que por desdém deixa-se ser quem quer ser.

Ele era sonhador, mas nada sábio. Não planejava nada, não conseguia ver a vida de uma forma ampla, só via o que queria ver. Sua visão sobre tudo, era muito limitada, talvez pela sua criação ou por pirraça. Ele era diferente de tudo e todos. Sorria sempre, apesar dos pesares. Era tachado como arrogante, mas mal sabiam que ele era simples até de mais, não pela vida que tinha, mas pela vida que levava.

A vida, para ambos, nunca foi algo de extremo sentido, não dessa forma paranóica que alguns a levam. Eles sempre deixavam as coisas acontecerem. De uma forma clichê e bastante piegas, o destino deles, já eram bons amigos. Eles se conheceram de verdade no outono, quando as folhas caíam desmazeladas e pesadas, pedindo descanso. Se encontraram ao acaso, ele trouxe o sorriso, e ela olhares de chocolate. Ela pediu café e ele pagou a conta. Nos bolsos, um pouco de amor pra dar e um espaço grande para receber. Ela gostava daquele cabelo farfalhado, ele dos sorrisos soltos. Perdiam-se em olhares, e vislumbravam o futuro como um horizonte. Talvez foram as chuvas de outono que marcou aquele momento, talvez foi o cheiro do café, talvez foram as folhas no chão. Mas de alguma forma, naquele dia, ainda que muito frio, quando juntos sentiam-se aquecidos, algo tornou-se eterno.

Escrito por Raylla Hort e Diego Nunes.



Partindo rotinas (despedida)

Nasci de graça. Menina, disse o doutor. Nasci sem cabelo e com uma alma. Olhos fechados e sem dentes. Mamãe me disse uma vez que demorei três dias a abrir os olhos, eram azuis. Minha unica certeza - e a de todos - é a morte. E espero que alguém lamente meu falecimento. A vida é assim, você pode estar andando e morre. Pode estar sentado(a) num banco da praça, vendo o movimento irregular dos carros, prestando atenção na criança que caiu do balanço e encontrar um amor. Um amor que entenda seus pequenos defeitos, compreenda seus medos e te faça sorrir com aquele típico sarcasmo. Um amor que te faça descobrir o que é o amor.

E todos os planos que fazemos quando criança parecem, de certa forma, perto. Mesmo que estejam há centenas de dias distantes. Quando os planos devem entrar em ação, tudo parece longe e mais difícil. Não sei se é porque deixamos de ser criança que nossa esperança emagrece. Se é a perda da inocência que não nos deixa sonhar alto. Voar se torna impossível, e sinal vermelho é pra parar.

A vida passa e leva os sonhos embora num saco plástico. Diz que você não é capaz, e você acredita. Ela brinca com seus sentimentos feito brinquedo de lego, que se monta e desmonta. Ela não pergunta se você vai ficar bem, ou se você se recuperou e te derruba de novo, e de novo. Ser forte é mais difícil do que brincar de ser forte.

Quebrar rotinas é bem difícil. Você perde o sabor das coisas que já estavam prontas. "Tava tão bom, pra que mudar?" Às vezes é preciso deixar de ser criança e crescer, porque a vida exige isso. Você passa a acreditar quando seus pais diziam que ser adulto não é legal. Desistir das coisas que se gosta pra "preferir" o que deve ser feito é contra sua regras de existência. Mas você deve fazer.

A cada dia chego mais perto dos meus sonhos e mais longe de mim.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

a menina que pintava sonhos

"Li esses dias um post que você fez pro Danilo, roubei a idéia e cá estou te imitando pra você. Poderia escrever como leio seus textos, e como eles me fazem bem. E como você me lembra Martha ou Clarice, e até mesmo Markus. Queria agradecer pelas palavras que você me deu, de graça. E pelos sorrisos que você me trouxe. Adoro ler o que você escreve, e digo isso de verdade. Senti falta de você, de suas palavras, quando elas meio que por maldade desapareceram. Você voltou e trouxe palavras nos bolsos. Então meio que por pretensão, resolvi descrever minha visão dos fatos, minha visão de Ana: sente-se na cadeira mais próxima e apenas me escute... ou me leia".

Ela acorda cedo, cinco minutos depois do despertador. Tem sonhos de criança: nuvens de algodão e cascatas de chocolate. Acorda mais doce todos os dias. É aquela do sorriso fácil e contagiante. Encolhe os olhos um pouco mais, toda vez que sorri. Os olhos brilham mesmo no escuro. É pintora, pintora de sonhos. Aprisiona almas em palavras. Nas aulas de física escreve sobre si, em casa sobre amor. De forma desdenhosa deixa - se ser quem quer ser. Para outros bonita, para a mãe a mais linda. Tem um dos jardins mais belos, no fundo do quintal, repleto de idéias e palavras. Semeia amor, e colhe admiração. De quando em quando pega o pincel mágico e pinta. Pinta feito Van Gogh ou Monet. Liberta as palavras de si, em pinceladas majestosas. Dorme feito princesa, antes das onze. Fecha os olhos e sorri.

- Me faz um pouco melhor, todos os dias -

Beijo

Senta na cadeira, e me joga esses olhos escuros.
Espera um beijo na boca, coisa pouca.
Ganha um, dois, três:
Na buxexa, na orelha e na buxexa outra vez.
A boca logo chega, meio aberta, a esperta.
Cedo ou tarde se encontram:
A boca com a boca,
Pescoço com mão,
E mão com cintura.
Peito com peito - beijo perfeito.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Aquilo que convém

Não entendo as garotas de hoje. Apaixonam - se por conveniência: beleza ou dinheiro. Tem que ser gatinho ou playboyzinho. Beleza no termo estético, rosto perfeito, corpo sarado, e roupa de marca. Tem que ter dinheiro, e ter automóvel. E todas as meninas devem querer o mesmo bofe, assim aquela que pegar o bofe antes é a poderosa, gostosa. Depois as amigas até trocam. E comentam como aquele bofe beijava mau. E ele fala para os amigos: "Tá vendo aquelas três ali? Já peguei todas". Depois partem pra outra, ambos: o bofe e a garota. Se curtiram um tempo, se exibiram para os amigos, o beijo não era aquelas coisas e o papo, bom, não tinha papo. Primeiro que "pegar" é um termo que-vamo-combina, pega - se um resfriado depois de tomar um banho de chuva, pega - se a pipoca no armário pra assistir filme, pega - se a blusa pra não passar frio. De grosso modo falar: "Eu to pegando o bofe" é tratar alguém como objeto. É esquecer que o ser humano é racional e por essa razão deveria ser tratado como tal. Não pega - se ninguém: beija - se, ama - se, sente - se, apaixona - se.
E depois um rosto perfeito, pode trazer um coração pesado, alguém sem limites, sem educação, sem caráter. E um corpo sarado pode ser academia apenas. Músculos podem trazer a falta de neurônios. Nunca um rosto ou um corpo me conquistou como um sorriso sincero e uma gentileza. Adolescência é assim mesmo, tudo é fase, tudo é curtir. Mas essa fase de curtição não deveria se transformar em banalidade. Se dêem o valor, pelo amor de Deus!
Outra coisa que não me cai bem, é essa estória de: "você é de mais pra ele" ou "vocês não combinam". Antes, ninguém é mais que ninguém. Depois, como pode os corpos não combinarem se as almas combinam? Essa merda de "não combinam" alimenta o preconceito, em relação aos homossexuais por exemplo. E a outra merda "você é muito pra ele" gera aquela coisa desagradável de um querer mandar mais que outro, um ser poderoso e outro submisso. Essa mania de se apegar às coisas materiais gera discriminação, onde rico "combina" com rico, e pobre "combina" com pobre. Sem entrar no assunto racismo.
Já tá virando moda gostar porque convém, porque é mais fácil, porque combina. Tantas coisas o homem já mudou por ser mais fácil: "Vou fazer faculdade de medicina, assim fico rico". Vocação? Alguém lembra dessa palavra? Professor, ninguém quer ser, mas não lembram que sem professor não há um doutor. "Vou votar em tal partido, afinal se votar no outro - que vai perder mesmo - anulo meu voto". Isso sim é democracia!! E não satisfeitos andam banalizando o tal do amor, que foi tema de sonetos de Camões, livros de Machado, filmes com Julia Robert e Richard Gere. Andam amando por ai, porque convém amar, porque é mais fácil desse jeito.
O amor não tem moda, lojas de griff, carro utilitário esportivo, não tem poupança gorda, rosto delicado e abdomen definido. Amor não é combinar, é conhecer. É gostar da mesma música, saborear o mesmo beijo, sentir o mesmo abraço. É falar a mesma língua.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Da rotina ao acaso

Um dia você descobre que as horas passam tão depressa quanto os dias. E que o tempo é tão pouco que devia ser usado com sabedoria. Mas você não tem sabedoria, você tem horas vagas, uma alma e um amor nas mãos.

São nessas horas incertas, que penso em você. São nos dias inconstantes e volumosos que fico nostalgica. São nesses dias em que, tenho tanto tempo pra pensar; que só penso em você. Desculpa a minha ausência, sei que pensas em mim, mas deve pensar um tanto menos que eu. Sou apaixonada e boba. E meu coração é feito cantor que só sabe a mesma música.

Nosso amor mudou. Mudou como quem troca de cidade, e sente falta de casa. Mudou feito março com calor e chuva. A rotina que faria estragos em nós, esqueceu da gente. Disse: "- Se virem como puderem". Mandou avisar que nem ligava pra nós, e nós fizemos pouco caso dela. Deixamos ela de castigo embaixo da cama e alguém passou por lá e a varreu feito poeira no vento. A rotina que é a causa final de muitos relacionamentos nos mostrou nossos interesses em comum, fez aparecer a tal da intimidade que é, compartilhar, memórias, sonhos, risadas e cócegas. E o jeito de ver lá fora, era bem parecido - se não igual -, e os sonhos de grande porte que mal cabiam nos bolsos tinham um mesmo destino gaveta e gargalhada. E o semblante de garota feliz era mais comum todas as noites, quando você estava perto; perto feito fogo, que aquece e aninha. Descobrimos a mesma canção, e o mesmo pedaço de pizza. E também as metades da laranja.

O acaso é que por acaso a rotina não voltou. Deixou - se descansar em qualquer ombro cansado, feito ela. Que pegava casais e destruía. Permanece numa rede a beira da praia, vislumbrando um pôr - do - sol. Esperando a noite cheia de estrelas e duvidando de sua capacidade. Ela cansou de ser ela mesma, de ser a mesma coisa e de fazer as mesmas coisas. Todos os dias de sua vida. Ela esqueceu de nós, porque lembrou dela. E a rotina que tentou nos acabar, nos juntou ainda mais. Nos deu a chance de brincar de sonhar e viver. Nos deixou acompanhados - nós e as estrelas - aprendendo que amar só, não é amar por inteiro. E que um amor só é completo quando se ama em dois.

Era uma vez...

Eu não te amo mais - ou te amo loucamente - percebi isso agora: quando tive medo de me entregar num beijo. Quando involuntariamente pensei em não tê - lo pela manhã. Quando peguei no seu cabelo e perguntei se ele era real. Sempre gostei de amores insanos, mas onde está a insanidade? E seu hálito que era como vento de inverno, me traiu e mudou de estação. Eu te amo tanto, mas seu olhar me parece comum, te amo, mas o seu cheiro continua o mesmo. Eu te amo tão intensamente que tenho medo de dizê - lo. Te amo de uma forma tão bonita que meus pés parecem não tocar o chão. Mas minha cabeça toca, toca em tudo. Toca em você, toca em mim. E meus braços não conseguem largá - lo. E todas as noites em que você me fez tão bem, essas noites em que meu sorriso era sincero. Você não é o que era antes, ou continua o mesmo. Ou meus olhos eram míopes, e apaixonados. Era tão bonito não era? Todos aqueles sonhos, quantos sonhos. Posso fazer uma pilha, colocar numa caixa e esperar o caminhão de lixo pela manhã. Querido... Você me fez sonhar. E eu tentei não acordar de todas as formas. Você foi o melhor dos meus casos. Você me trouxe paz, daquele tipo de paz que se encontra a dois: numa tarde de sol, numa noite estrelada, na esquina de casa, no sofá, num domingo com sorvete, numa noite de pizza, você me trouxe aquela paz. O tempo é tão curto quando se trata de nós. Tão cruel, e malévolo. Nossa história foi um romance dos perfeitos, com começo, meio e meio. Onde a menina se apaixona pelo rapaz e o rapaz se encontra apaixonado pela menina. De uma forma tão rápida e imprevisível que me lembra um conto de fadas. O vilão, o único vilão seria o tempo. Que trazia o calor das manhãs e logo mostrava a lua brilhante e majestosa. Eu não te amo mais, porque não consigo pensar em você longe. Eu não te amo, porque te amo de mais, te amo tanto.