quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Eu acreditei

A quem nós queremos enganar? No fundo eu sei que gosto de você. E você sabe que gosta de mim. Nós somos patéticos escondendo esse mesmo sentimento um do outro. Fazendo competições de quem vai "gostar" de outra pessoa primeiro. Quem vai esquecer um do outro antes. Ainda guardo seus presentes, ainda guardo seu perfume, ainda guardo as lembranças. Lembro dos dias de chuva, onde era só você e eu. E as gotas que encharcavam nossos cabelos e rostos. Lembro do teu sorriso nas horas mais importunas. Ele invade toda a minha existência, todo o meu ser. Lembro das brincadeiras que me faziam tão bem. Saudade: é a prova que eu gostei de você. Mas eu me apaixonei por estar sempre só. Ando assim: pensamentos na cabeça, lápis e papel nas mãos, e você no coração. Vez ou outra pessoas me fazem tremer de medo. Sempre me disseram: - Amar dói! E eu acreditei. Sempre fui assim, medrosa mesmo! Lembro que na infância preferia um mês de castigo à uma cintada bem de leve. Injeções me faziam espernear; lembro das vacinas que até hoje não tomei. Engraçado. Lembro que quando eu brincava de pega - pega, esconde - esconde, alerta; sempre saía ferida. Meus joelhos sangravam, mas eu continuava brincando. Imaginar uma dor antes de senti - la é apavorante. Eu acreditei quando me falaram que ia doer. Uma pena não ter acreditado em você: quando você disse que gostava de mim de verdade, quando você me abraçava, quando você me beijava. Eu não acreditei em nada disso. E agora eu sinto falta de tudo em você. Sem você. Preciso perder o medo de injeção, vacinas são importantes. Preciso perder o medo de amar, para finalmente poder te amar.

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