domingo, 12 de maio de 2013

Não importa o que dizem as canções, amor é outra coisa. Amor é cativeiro.

domingo, 5 de maio de 2013

Domingo


Acordei cedo, escutei os galos. Não conseguia fechar os olhos. Não obstante, não conseguia sair da cama. Estava aquecida, levantar seria estupidez. Fiquei alguns minutos pensando, lembrando dos meus sonhos. Cansei, joguei meus seis cobertores para o lado, uma onda de ar frio eliminou toda a sensação de calor. Espreguicei – me, andei em passos lentos, arrastando os pés. Abri a porta com toda a delicadeza possível, não pretendia acordar ninguém. Desci as escadas, fazendo esforço para não notarem minha presença, preocupando – me em não fazer ruídos. A casa estava silenciosa, uma vez ou outra escutava – se o barulho dos pássaros. Coloquei água na chaleira, acendi o fogão; e esperei o líquido entrar em ebulição. Abri a porta, o vento balançou meus cabelos; era um vento suave, refrescante. O cheiro de orvalho invadia meus pulmões, causando – me a sensação de existência. Inevitavelmente percebi os fragmentos de vida. Uma formiga caminhando, pássaros cantando, cachorros latindo, árvores balançando. Parece poético, mas só se aprende a viver, quando percebe – se a vida a nossa volta. Minha mente viajou, trazendo lembranças, ruminando o passado. A chaleira me chamou à realidade, passei o café. Tomei – o silenciosamente, perdida num mundo interior. Liguei a tevê, iniciava – se o jornal; transmitindo notícias do mundo todo. Assumi minha insignificância, o mundo girava e eu continuava com minha xícara petulante. Majestosa aurora do dia, que faz transcender os momentos ruins, tornando possível a esperança. Esperar, é o que me mantêm, é o que me consola. O café esfriou, deixando seu gosto amargo, gelado. Joguei – o na pia, e continuei sozinha; na casa silenciosa. Domingo… Dia de maionese.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Mais Do Mesmo


“Desde pequena meus olhos incham quando choro, delatando tal fraqueza como que por prazer. Por que é tão difícil ter controle das emoções, quando o próprio mundo é descontrolado. Quando estou desesperadamente fora de controle tenho a ânsia de escrever. Meus abismos são criados por mim, mas não sei desmembrá - los.  Meus amores já foram convictos, hoje são só mais uma bagunça que eu não consigo arrumar. Diferente do que pensei, o dia é longo quando se tem pesos nas costas. Queria simplicidade: problemas reais, estresses corriqueiros. Mas tudo o que é abstrato envolve o empírico.”

Me peguei pensando por que as pessoas nos decepcionam tanto. E a resposta acoplada à própria culpa está em nós. Criamos expectativas nas pessoas e temos o hábito egoísta de esperar ações ao nosso modo particular. É injusto que a Summer de 500 dias com ela seja a vilã, quando – na verdade - quem encheu a história de expectativas e ilusões foi Tom. Errado ou não, todos já fizemos isso. E continuamente arcamos com as consequências. Como não criar expectativas quando nossa mente não pede autorização ao cultivá – las? Aí eu lembro da frase elegante que Woody Allen citou em Vicky Cristina Barcelona (2008): “Só um amor não realizado pode ser romântico.” Amores reais machucam, nos mostram nossos próprios defeitos, são capazes de destruir os sentidos e a lógica. Brincar de amor é muito mais fácil: você cria expectativas e as vê desabando, simples! Amor real é convivência, rotina, paciência. Machucamos quem amamos e sofremos por eles pelo mais genuíno egoísmo. Porque queremos, infinitamente, ser felizes e se o outro for incapaz – por motivo que seja – de preencher nossas expectativas de sonhos, desejos, bizarrices nos sentimos infelizes e amaldiçoamos o amor. Esse amor que tanto pode nos fazer mal. Esse amor que tanto procuramos. Então finalmente eu lembro da anedota que Allen utiliza em Annie Hall (1977): "Do tipo que vai ao psiquiatra e diz: "Doutor, o meu irmão é maluco. Acha que é uma galinha. "E o médico diz: "Por que é que não o interna? "E ele responde: "Até internava, mas preciso dos ovos". É mais ou menos o que eu sinto sobre relacionamentos. São totalmente irracionais, loucos e absurdos... mas nós vamos aguentando porque precisamos dos ovos".

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Trechos de uma carta de amor


“Eu queria poder dizer que você é especial pra mim, queria poder dizer que sei tudo sobre sua vida. Queria saber o nome dos seus pais, dos seus irmãos. Queria poder falar qual a sua comida favorita e se você ronca quando dorme. Eu queria saber o nome do seu perfume, e quais suas manias mais bizarras. Queria saber a cor da tinta do seu quarto, e qual seu livro favorito. Mas eu não sei. Eu não sei por que te conheci, e é tão injusto! É injusto eu querer fazer parte da sua vida, e você nem se preocupar com a minha. É injusto eu escutar sua voz, vez em quando, e você não lembrar da minha. É injusto eu procurar seu sorriso em outra face qualquer e não encontrar vestígios seus. Eu sou tola e patética, ainda procuro você nas esquinas. Ainda procuro você em outros braços. Procuro seu sorriso em quem – por meio de desdém – tenta imitá – lo; imitação barata. Seu olhar melancólico me encontra todos os dias no espelho. Ainda lembro de você quando bebo demais.”

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Para assistir: Closer

Antes eu preciso realmente dizer que é um dos meus filmes preferidos. Closer é um filme do gênero drama, escrito por Patrick Marber e dirigido por Mike Nichols. O elenco é composto por apenas: Julia Roberts, Clive Owen, Jude Law e Natalie Portman. O filme começa nada mais nada menos com a encantadora música: The Blower's Daughter - Damien Rice. 


 Alice Ayres ou Jane Jones (Natalie Portman) conhece Daniel Woolf (Jude Law), depois de sofrer um acidente. E o cumprimenta com a famosa frase: "Hello Stranger". O tempo é onipresente, havendo diversos flashbacks na história. Depois de começarem um romance Dan escreve um livro sobre sua musa Alice. Invariavelmente conhece Anna Cameron (Julia Roberts) quando vai tirar a foto para seu livro. Anna é uma fotógrafa bem sucedida, Dan se sente seduzido e os dois tem um rápido envolvimento no estúdio de fotografia. Quando Alice volta do trabalho para encontrar Dan percebe uma sutil diferença em seu amante. 
Larry Gray é um médico, especialista em dermatologia, ele entra num site de relacionamentos e tem uma conversa sensual com Dan (on line) que se faz passar por Anna. Eles marcam um encontro num Aquário, ironicamente Anna se encontrava no aquário. Os dois se conhecem e se casam. Não muito depois disso, Anna e Dan assumem a paixão e contam aos seus companheiros. 


Alice desaparece e Larry fica inconsolável. Então ele vai num stripclub, e encontra Alice (com uma peruca cor - de - rosa que eu adoro). Os dois conversam, e tudo indica que passaram a noite juntos. Mas é só uma hipótese. No dia em que Anna foi pedir o divórcio para Larry, eles tiveram uma relação. Anna não conseguiu esconder a verdade de Dan, que entra em desespero e vai a procura de Larry. Vendo que tudo estava perdido e que Anna voltaria para Larry, Dan procura Alice, e eles voltam a ficar juntos. Não obstante, eles tem uma discussão no hotel. Dan dá um tapa no rosto de Alice e eles terminam. No final do filme descobre - se que o verdadeiro nome de Alice, é Jane Jones. 
Toda vez que assisto esse filme eu choro, não é porque sou chorona. Natalie Portman é muito dramática e me faz chorar quando Dan revela seu caso com Anna. Inclusive ela foi indicada ao Oscar como atriz coadjuvante. Assistam e depois me contem o que acharam!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sinais


Só por hoje eu decidi não te amar loucamente. Só por hoje eu escolhi ficar no cantinho bem de quietinho, ouvindo a chuva, brincando de nostalgia. Só hoje te deixei na gaveta junto às meias e lenços. Só hoje fingi nunca ter te conhecido. E passeando pelas lembranças mais remotas da Bela Cintra à Sergipe, da Maria Borba à Augusta; me deparo ao seu sorriso frágil e maroto. Acho que gosto de São Paulo. Mas meu lugar é aqui: mais perto do sol, mais amiga da chuva. E só por hoje esqueci nossas músicas. Inventei novos gostos. Esqueci nossos clichês e bordões, só hoje. Naveguei, sozinha, perante as memórias. Brinquei que você não estava lá. Eu me bastei, mesmo que só hoje. Mesmo que não seja.

domingo, 4 de novembro de 2012

Como se diz te amo


Acho que tenho medo, na verdade eu tenho muito medo! Mas quem não tem? Amor é aventura pra poucos. É coragem que falta a muitos.

Foi num desses momentos bobos que nossos olhares se encontraram que percebi o quanto te amo. Que ainda te amo! Desses momentos que concretizam a linha tênue entre o efêmero e o eterno. Foi num desses momentos que descobri que nunca encontrarei tais olhos em outro alguém. Como se foge do próprio peito? Já inventei mil casos pra te esquecer, é tanto amor que machuca. Eu tão juíza dos amores mais loucos,  das dores mais incontroláveis, me rendo! Me rendo aos seus sorrisos fora de hora, às suas brincadeiras detestáveis, ao seu pseudo -  romantismo. Me rendo tão desesperadamente aos seus abraços apertados, ao calor das tuas mãos. Me rendo ao seu cabelo molhado e à sua voz macia. Pra que fugir se eu não consigo? Eu te enxergo no escuro. Te escuto no silêncio. Te cheiro sem cheiro. Vamos criar mais sorrisos. Desfrutar mais abraços. Dividir nossos medos. Vamos indo... Até que a morte nos separe.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Carta Fúnebre

Querido...

“ Quando eu te conheci tive a sensação súbita de medo. Não sei por quê. Sempre te enxerguei colorido. Às vezes sinto falta do antigo você que não me envolvia em seus segredos mais profundos. Eu te amei de graça. Não houve promessas, nem mentiras. Talvez por isso eu tão sensível gostei de quem você – verdadeiramente – era. Talvez por isso eu me afortunei em sonhar e criar a gente. Sonho que é sonho tem nuvens de algodão. Eu imaginei os mais doces sorrisos. Eu imaginava um futuro num horizonte de miragem. Eu fui a tola que dei nomes aos nossos filhos, escolhi a cor da nossa casa. Cedo ou tarde a verdade me encontrou me dando banhos constantes de água fria. Eu não sei o que você fez comigo. Mas a culpa foi toda minha. Por ter feito um desenho muito bonito, de quem, por meio de desdém não deixa – se desenhar nem em papel de guardanapo. Eu tão romântica e insana, carregada de lindas histórias de amor e músicas perfeitas, inventei o amor. Eu tão prevista de corações nos cadernos e poesias nos bolsos, descobri a maledicência dos seus sorrisos; a insensatez dos seus olhos fúnebres. Quando acordei estava em pedaços. E agora tentando recuperar uma razão pra te querer me pergunto por que não parti. Por que não te deixei na esquina mais próxima e segui meu caminho. Por medo. Esse medo tão complacente ao meu desejo de liberdade. Quero me livrar das dores cotidianas. Que me tiram o sono, todos os dias. Quero me livrar dos sorrisos falsos. Eu bem que podia te perdoar. O medo me deixou aleijada. Não posso te perder, mas será que pra isso vou me perder? Não posso te deixar passar, mas será que pra isso eu vou passar? Passar todas as minhas tardes me odiando por ser tão medrosa. Por medo de perder. Você. Eu não encontro conforto. É assim todos os dias. Nossos bons momentos parecem pequenos demais. Aonde eu encontro minha tranquilidade? Eu só tenho paciência. Aonde eu encontro minha história de amor? Eu só tenho você".

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Meu amigo Manuel

(...) e de repente o mundo sorriu para eles. 
Fechou os olhos e viu Pasárgada.

Ele só queria mais um pôr do sol, ela só queria que o dia nunca acabasse. A realidade é que aquilo era um sonho. Ele parecia a representação da perfeição através dos seus defeitos. Ela o via pela alma. Naquele lugar tão puro e vivo encontrava - se Pasárgada. O lugar das delícias e dos amores. Ela o chamava de amor, mas não importava, pois ele sabia. Ele a chamava de minha. Na estante alguns romances velhos, na chaleira água quente, precisava haver café. Não era necessário o mar, nem sol alto. Podia ser chuva e cobertor. Mas o sol escolheu os dois. A música era numa frequência baixa de blues, a casa tinha cheiro de flores de campo. Era pequena e singela. Trazia nas paredes as lembranças dos tempos mais gentis. Havia amor.

A varanda era minúscula, mas cabia os dois. Foram tantas tardes passadas ali compartilhando memórias que na pequena reforma que haviam feito, ninguém se atreveu a mexer nela. Todos os dias antes das seis ele caminhava perdido em pensamentos. Depois das seis o café estava na mesa, e a casa distribuía o aroma do pó, como que por prazer. Ela o chamava com sorriso, ele vinha com passos lentos e voz serena. Sentavam - se a mesa, os dois, comiam biscoitos caseiros e eram felizes um pouco mais todos os dias. Certa vez pensaram em adotar um cachorro, porém a ideia terminou em risos. Os vizinhos comentavam asneiras maledicentes porque os dois não tinham filhos. Por enquanto cuidavam um do outro, e isso bastava. Ela sentava no sofá para assistir novela, ele deitava em seu colo, para vê - la sorrir, apenas. Vez por outra ela massageava o cabelo farfalhado dele, somente para indicar que estava ali, perto. Ele retribuía com beijinhos doces. Ele trazia o silêncio, ela o riso fácil. Se completavam.
E Pasárgada não era distante. Era o gotejar da torneira velha. Era a teia de aranha que insistia em se formar na lavanderia. Era o banheiro encharcado depois que ele tomava banho. Era a comida com sal demais que ela fazia. Era a casa tão cheia de pequenos detalhes, deles dois. Pasárgada era os dois, juntos.