“Desde pequena meus olhos incham quando
choro, delatando tal fraqueza como que por prazer. Por que é tão difícil ter
controle das emoções, quando o próprio mundo é descontrolado. Quando estou
desesperadamente fora de controle tenho a ânsia de escrever. Meus abismos são
criados por mim, mas não sei desmembrá - los. Meus amores já foram convictos, hoje são só mais
uma bagunça que eu não consigo arrumar. Diferente do que pensei, o dia é longo
quando se tem pesos nas costas. Queria simplicidade: problemas reais, estresses
corriqueiros. Mas tudo o que é abstrato envolve o empírico.”
Me
peguei pensando por que as pessoas nos decepcionam tanto. E a resposta acoplada
à própria culpa está em nós. Criamos expectativas nas pessoas e temos o hábito
egoísta de esperar ações ao nosso modo particular. É injusto que a Summer
de 500 dias com ela seja a vilã, quando – na verdade - quem encheu a história de
expectativas e ilusões foi Tom. Errado ou não, todos já fizemos isso. E
continuamente arcamos com as consequências. Como não criar expectativas quando
nossa mente não pede autorização ao cultivá – las? Aí eu lembro da frase
elegante que Woody Allen citou em Vicky Cristina Barcelona (2008): “Só um amor não realizado pode ser
romântico.” Amores reais machucam, nos mostram nossos próprios defeitos,
são capazes de destruir os sentidos e a lógica. Brincar de amor é muito mais
fácil: você cria expectativas e as vê desabando, simples! Amor real é
convivência, rotina, paciência. Machucamos quem amamos e sofremos por eles pelo
mais genuíno egoísmo. Porque queremos, infinitamente, ser felizes e se o outro
for incapaz – por motivo que seja – de preencher nossas expectativas de sonhos,
desejos, bizarrices nos sentimos infelizes e amaldiçoamos o amor. Esse amor que
tanto pode nos fazer mal. Esse amor que tanto procuramos. Então finalmente eu
lembro da anedota que Allen utiliza
em Annie Hall (1977): "Do tipo que vai ao psiquiatra e diz: "Doutor, o
meu irmão é maluco. Acha que é uma galinha. "E o médico diz: "Por que
é que não o interna? "E ele responde: "Até internava, mas preciso dos
ovos". É mais ou menos o que eu sinto sobre relacionamentos. São
totalmente irracionais, loucos e absurdos... mas nós vamos aguentando porque
precisamos dos ovos".