“Eu queria poder dizer que você é
especial pra mim, queria poder dizer que sei tudo sobre sua vida. Queria saber
o nome dos seus pais, dos seus irmãos. Queria poder falar qual a sua comida
favorita e se você ronca quando dorme. Eu queria saber o nome do seu perfume, e
quais suas manias mais bizarras. Queria saber a cor da tinta do seu quarto, e
qual seu livro favorito. Mas eu não sei. Eu não sei por que te conheci, e é tão
injusto! É injusto eu querer fazer parte da sua vida, e você nem se preocupar
com a minha. É injusto eu escutar sua voz, vez em quando, e você não lembrar da
minha. É injusto eu procurar seu sorriso em outra face qualquer e não encontrar
vestígios seus. Eu sou tola e patética, ainda procuro você nas esquinas. Ainda
procuro você em outros braços. Procuro seu sorriso em quem – por meio de desdém
– tenta imitá – lo; imitação barata. Seu olhar melancólico me encontra todos os
dias no espelho. Ainda lembro de você quando bebo demais.”