Só por hoje eu decidi não
te amar loucamente. Só por hoje eu escolhi ficar no cantinho bem de quietinho,
ouvindo a chuva, brincando de nostalgia. Só hoje te deixei na gaveta junto às
meias e lenços. Só hoje fingi nunca ter te conhecido. E passeando pelas
lembranças mais remotas da Bela Cintra à Sergipe, da Maria Borba à Augusta; me
deparo ao seu sorriso frágil e maroto. Acho que gosto de São Paulo. Mas meu
lugar é aqui: mais perto do sol, mais amiga da chuva. E só por hoje esqueci
nossas músicas. Inventei novos gostos. Esqueci nossos clichês e bordões, só
hoje. Naveguei, sozinha, perante as memórias. Brinquei que você não estava lá.
Eu me bastei, mesmo que só hoje. Mesmo que não seja.
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