sexta-feira, 25 de março de 2011

Se é pra sorrir

E se a gente pudesse levar na bolsa um sorriso pronto? No bolso, ou até embaixo da manga? Desses que causam rugas e deformam o rosto. Não precisava, talvez, disfarçar um sorriso. Sorriso é coisa tão linda que devia ser proibido de ser falso. Andando na rua depois de pagar uma conta que arrancou trinta por cento do seu salário, você se depara com um vizinho. Você não gosta muito dele. Mas ele te viu há uns cem metros antes - não tem como fugir - estampando aquele sorriso cada vez maior, feito idiota. Você tenta olhar pra vitrine, enxerga uma sujeira na calça que nunca existiu. Implorando pra chegar logo, a hora do sorriso fake. Vizinho: - Oi. Você: (Oi). E bota aquele sorriso amarelo na cara, sorriso automático: vizinho perto, LIGA. Vizinho longe, DESLIGA. Quando se está triste, a alegria dos outros não é normal, aí tem! Tudo parece falso e forçado. Tudo remete artificialidade. Pra que sorrir se não quer sorrir. Quando se está triste a dificuldade é fingir que está tudo bem, e a felicidade dos outros fere, machuca. Dói de ver um sorriso bonito que não é o nosso.

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