domingo, 5 de maio de 2013

Domingo


Acordei cedo, escutei os galos. Não conseguia fechar os olhos. Não obstante, não conseguia sair da cama. Estava aquecida, levantar seria estupidez. Fiquei alguns minutos pensando, lembrando dos meus sonhos. Cansei, joguei meus seis cobertores para o lado, uma onda de ar frio eliminou toda a sensação de calor. Espreguicei – me, andei em passos lentos, arrastando os pés. Abri a porta com toda a delicadeza possível, não pretendia acordar ninguém. Desci as escadas, fazendo esforço para não notarem minha presença, preocupando – me em não fazer ruídos. A casa estava silenciosa, uma vez ou outra escutava – se o barulho dos pássaros. Coloquei água na chaleira, acendi o fogão; e esperei o líquido entrar em ebulição. Abri a porta, o vento balançou meus cabelos; era um vento suave, refrescante. O cheiro de orvalho invadia meus pulmões, causando – me a sensação de existência. Inevitavelmente percebi os fragmentos de vida. Uma formiga caminhando, pássaros cantando, cachorros latindo, árvores balançando. Parece poético, mas só se aprende a viver, quando percebe – se a vida a nossa volta. Minha mente viajou, trazendo lembranças, ruminando o passado. A chaleira me chamou à realidade, passei o café. Tomei – o silenciosamente, perdida num mundo interior. Liguei a tevê, iniciava – se o jornal; transmitindo notícias do mundo todo. Assumi minha insignificância, o mundo girava e eu continuava com minha xícara petulante. Majestosa aurora do dia, que faz transcender os momentos ruins, tornando possível a esperança. Esperar, é o que me mantêm, é o que me consola. O café esfriou, deixando seu gosto amargo, gelado. Joguei – o na pia, e continuei sozinha; na casa silenciosa. Domingo… Dia de maionese.

Nenhum comentário:

Postar um comentário