quarta-feira, 23 de março de 2011

Capítulo três

Era sonhadora, sabia. Meio que por coragem, meio que por covardia, tinha medo de escuro mas não tinha medo da morte. Tinha um sorriso torto que vez por outra trocava de ângulo, dando - sem querer - um charme para um rosto redondo e inchado. Havia um coração de criança, daqueles bem bobos que abrem e fecham em qualquer ocasião. Sem exigência aos que entram, e tristeza aos que saem. Mesmo que não fosse, era jovem. Distribuía sorrisos à desconhecidos, piscava os olhos com graça. Tinha um cabelo ondulado com movimento variante. Andava feito boba: passos largos, desequilibrada, apressada. Perfil de quem, pouco se importa aos olhos alheios. Já os seus eram grandes, brilhosos; sinceros. Era bonita, insisto. Mas além de tudo e principalmente era boa. Boa porque dava de comer aos cães, porque cuidava do irmão mais novo. Boa porque não fazia mal à ninguém, porque sorria feito tonta e fazia muitos sorrir.

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