Sempre tive dificuldade em dizer não. Mas comecei a perceber isso, logo agora; tarde de mais. Quando nem pensava no meu querer, abria mão de minha necessidade pra não dizer não. Mas pensando bem, quantas pessoas me disseram não. E quantas delas nem se abalaram com isso. Um, não, pode destruir sonhos, acabar com vontades, tirar o gostinho bom de algo, que mais não seja, é maravilhoso. Um não é tão forte quanto um sim. E percebendo isso agora, não consigo dizer não. É algo difícil, é covardia. Já disse não querendo dizer sim, confesso. Mas disse muitos sim devendo dizer não. Já dei não na cara de muita gente, não, que me fez chorar depois, que me deixou culpada e arrependida. Não se pode dizer um, não, assim; de uma hora pra outra, sem dar explicações, um não pode marcar alguém pra sempre. E só quem leva, não, o suficiente, sabe e sente como é difícil dizer um não. Não é palavra boba, aparece quando um namorado tenta abaixar a mão e você diz: "- Não!" Não, pode destruir vidas como um: "- Eu não amo mais você!". Pode vim, vez por outra, feito birra: "- Não vou fazer isso!" Às vezes vem disfarçado, feito camaleão que muda com o ambiente. Vem de forma gostosa, como cócegas: "- Não, pára! Cócegas não!". Não de mãe é tão ruim, não é?! Quando você não arruma o quarto e:" -Não, você não vai sair final de semana!". Não de amigo, que pode até doer, mas é sincero, é necessário: "- Ficou legal essa saia? - Não, tá muito curta, parece uma..." É tanto não que ninguém quer dar, que ninguém deveria dar. Mas, não, é preciso, quem não leva não, não sabe esperar, não sabe amar, não sabe escolher, não sabe dividir uma pizza, não sabe abraçar. Quem não ouve não, não sabe que um não dói e como dói. Não, serve pra ensinar e pra aprender. Algumas vezes um, não, é inesperado, é dolorido, dói até aonde pensa - se que não existe dor, dói de forma intensa, não tem meio termo, dói muito, dói bastante. Mas devolver um não, desses carregados que destroem corações dói mais, dói tanto. Dizer, não, é dizer não a si mesmo, é descumprir promessas, você prometeu que não faria ninguém sofrer da forma que sofreu. E o que fez? Disse não. Não, dói porque machuca quem diz e quem ouve, machuca por fora e por dentro. Por fora porque as expressões são visíveis: cabisbaixo, olhar alagadiço e tristonho, sobrancelha torta pra baixo. Dói por dentro porque dá aperto no peito, porque machuca tudo que encontra, porque corrói, porque não tem piedade. E essa piedade, compaixão. Desde quando abrimos mão do que nos faz bem, pra fazer bem a outro? Desde quando perdemos sorriso pra fazer alguém sorrir? Não me responda, só não me diga não!
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