Olhou para aquele cabelo, que ele insistia em dizer que eram fios grossos. Ela os via finos, bem finos pra falar a verdade. Cabelo farfalhado, teimoso, rebelde. E que vez por outra fazia - se um topete, metido e involuntário; assim como o de Elvis. Aquele cabelo que o vento gostava de brincar, balançando de um lado para outro, numa dança gostosa. Olhou sem querer para as olheiras, enormes, lembrou das próprias, lembrou das noites mal dormidas, dos pensamentos perdidos de todas as noites. Sentiu saudade do primeiro beijo, no carro. Meio tímido, cheio de vontade. Percebeu o quanto as coisas mudaram, e como mudam. Olhou no calendário, quatro meses? Só. Parecia mais, quatro anos quem sabe?! Tantas memórias compartilhadas, tantos sorrisos ganhos, tanta história pra se lembrar. Recordou do medo infantil no começo. Medo de rejeição. Medo de intimidade. Ser intimo de alguém, como muitos pensam, não é ir pra cama. É compartilhar segredos, fazer confissões duvidosas. Andar descalço, ficar de pijama, comer com a mão. Chegaram na fase da rotina, jogar baralho e uno. Se encontrar às noites, todas as noites depois do trabalho. Precisavam um do outro. E nem que fosse um abraço, ou um 'eu te amo', já mudava tudo. A frase que dá tanto medo, era comum e sincera; acredite. E para ela o que importava era o sorriso, que mais não fosse, era o mais bonito. Para ele não era diferente, era exatamente igual.
nunca cheguei a gostar de você, desde o primeiro beijo, ali no carro. Eu só consigo me imaginar amando você
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