Se lembro bem, tudo começou em fevereiro. O dia pouco importa. Lembro que eu usava camiseta clara, o clima era quente e as blusas ocupavam espaço no guarda - roupa. As vestes eram leves, o peso era outro. Olhava vez ou outra à aquela pessoa insignificante. Houve dias que sua presença passou despercebida, ele era engraçado, bobão, patético. Seus gestos eram escrotos. Sua voz sempre foi gostosa e delicada. Voz tranquila, calmaria. Março, chegou de ímpeto, revelando novas sensações, as mãos dele eram encantadoras, dedos finos e compridos, mãos delicadas, gélidas. Percebi sua singularidade de forma lenta e gradual, ele era estúpido e isso me intrigou. Dei conta que olhava pra ele, de vez em quando, ele me virava a cara. Abril, eu temia sentir algo por ele; ele pouco conversava comigo, nem prestava atenção em mim. Como eram agradáveis aqueles olhos, claros e puros. Transmitiam sinceridade e segurança. Ele retribuía meus sorrisos, disfarçadamente. Ou talvez, era ilusão boba. Maio, não conseguia mais esconder. Estava óbvio demais. Talvez ele já havia percebido, indiferente ao meu sentimento. Sentimento o qual não conseguia classificar ou nomear. Junho, provas e mais provas. Meu raciocínio estava lento, minha concentração centralizada. Pensar era difícil, ele não saía da minha cabeça. Eu imaginava nossos filhos e netos. Construía castelos de ilusão, como andar na chuva, assistir um filme romântico, ligações na madrugada. Julho, férias da escola, prisão mental. Aprisionou - se de forma definitiva, dominou meus sonhos. Apavorei - me. Pouco lembrava o que era controle. Fazia coisas bizarras pra chamar a atenção. Tinha ciúmes doentio, ai de quem encostasse nele. Agosto, desisti de fugir, larguei todas as dúvidas, todos os medos, e aceitei meus instintos. Minha cabeça estava fraca pouco podia decidir por mim. Fui mais pela emoção do que pela razão. Complicado, nunca havia feito isso antes. Setembro, acostumei - me à ele. Não conseguia ficar um dia longe, precisava ouvir aquela voz. Infinitamente conclusiva, percebi que gostava dele. Irritava - me facilmente quando ele não me dava atenção. Tinha a necessidade básica de senti - lo por perto. Inevitavelmente tudo parecia simples demais. Talvez tenha confundido algo, entrelaçado sentimentos. Lamento pelo final ridículo. Mas eu não faço idéia do que vai acontecer. Poderia eu inventar um final romântico e agradável. De nada adiantaria, pois isso é um relatório e não uma história. Ainda estamos em setembro, o que me resta é torcer e esperar. Vez ou outra ele aparece nos meus sonhos, dizendo que ele está por perto. E que aquele sentimento permanece estável.
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