sexta-feira, 15 de abril de 2011

Descrevendo momentos

Era sonhadora, sabia. Meio que por coragem, meio que por covardia, tinha medo de escuro, mas não tinha medo da morte. Tinha um sorriso torto que vez ou outra trocava de ângulo, dando -sem querer- um charme para um rosto redondo e inchado. Havia um coração de criança, daqueles bem bobos que abrem e fecham em qualquer ocasião. Sem exigência aos que entram, e tristeza aos que saem. Mesmo que não fosse, era jovem. Perfil de quem, meio que por desdém deixa-se ser quem quer ser.

Ele era sonhador, mas nada sábio. Não planejava nada, não conseguia ver a vida de uma forma ampla, só via o que queria ver. Sua visão sobre tudo, era muito limitada, talvez pela sua criação ou por pirraça. Ele era diferente de tudo e todos. Sorria sempre, apesar dos pesares. Era tachado como arrogante, mas mal sabiam que ele era simples até de mais, não pela vida que tinha, mas pela vida que levava.

A vida, para ambos, nunca foi algo de extremo sentido, não dessa forma paranóica que alguns a levam. Eles sempre deixavam as coisas acontecerem. De uma forma clichê e bastante piegas, o destino deles, já eram bons amigos. Eles se conheceram de verdade no outono, quando as folhas caíam desmazeladas e pesadas, pedindo descanso. Se encontraram ao acaso, ele trouxe o sorriso, e ela olhares de chocolate. Ela pediu café e ele pagou a conta. Nos bolsos, um pouco de amor pra dar e um espaço grande para receber. Ela gostava daquele cabelo farfalhado, ele dos sorrisos soltos. Perdiam-se em olhares, e vislumbravam o futuro como um horizonte. Talvez foram as chuvas de outono que marcou aquele momento, talvez foi o cheiro do café, talvez foram as folhas no chão. Mas de alguma forma, naquele dia, ainda que muito frio, quando juntos sentiam-se aquecidos, algo tornou-se eterno.

Escrito por Raylla Hort e Diego Nunes.



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