Eu gosto de correr, mas gosto de parar.
Às vezes a gente se perde. Se perde no meio de uma mata selvagem sem telefone público ou lan house, sem comunicação, você e a solidão. E existem momentos que a paz e a cura só são possíveis com a solidão. Às vezes a gente se encontra, não se encontra? No supermercado fazendo compras com o – você imagina – amor de sua vida. Distribuindo sorrisos de graça, flutuando em nuvens de algodão. Essas circunstâncias de se perder e se achar são calorosas e provisórias. Mudança temperamental é mais comum que trocar as roupas de baixo. Como amar e odiar. Invejar e admirar. E quem não gosta de paradoxos?
Você sempre tem a escolha, pra fazer você dormir mais tarde, todos os dias. E se enxergar no espelho repleto de olheiras fundas e tenebrosas. Você sempre tem o "A" e o "B" pra poder escolher o que é melhor. Muitas vezes o melhor é a opção errada. É aquilo que não pode ser escolhido em hipótese alguma. Cabe a você decidir o que se deve e o que você queria fazer. Bom seria se você fosse personagem de um filme, ou livro. E o narrador dissesse pra você comprar uma passagem pra qualquer lugar, e você como boa personagem obediente o faria. Porque a conta no banco estaria cheia, sua casa seria na praia, você teria um amor, e a policia aceitaria seu sorriso como sinceras desculpas por estacionar em lugar proibido. Mas a vida é cheia de deveres, e às vezes só de deveres. Seria bom ter um final de semana pra comprar chocolate e ficar numa praça observando a vida de fora. Nossos conflitos internos são baseados em coisas que entram em conflito, confuso? Explico. Quando você não pode ter duas coisas que você quer, você tem essas coisas em conflito. E consequentemente ficará em conflito também. Escolher nunca é bom, porque vez por outra devemos escolher o que, acreditamos, ser o melhor pra gente. Mas e quando o melhor é aquilo que você não quer?
Todos os dias, de todos os anos venho escolhendo através do coração, o que não tem trazido bons resultados. É até estranho eu confessar isso. A dualidade me deixa confusa e insegura. Sorvete de chocolate ou morango? Chocolate. Mas depois fico imaginando como teria sido o gostinho do sorvete de morango. Como é difícil escolher quando não se sabe o que se quer, nem para aonde se vai. Escolher é por vezes renunciar algo de bom, algo de belo. É disfarçar sorrisos e de certa forma crescer. Quando a gente sabe o que é melhor pra gente. É porque a gente cresceu um bocado.
Vivo nessas indecisões que me consomem. Meu coração pede descanso. São tantas as coisas que definem tantas outras coisas. É pouca certeza pra tanta incerteza.
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