Nasci de graça. Menina, disse o doutor. Nasci sem cabelo e com uma alma. Olhos fechados e sem dentes. Mamãe me disse uma vez que demorei três dias a abrir os olhos, eram azuis. Minha unica certeza - e a de todos - é a morte. E espero que alguém lamente meu falecimento. A vida é assim, você pode estar andando e morre. Pode estar sentado(a) num banco da praça, vendo o movimento irregular dos carros, prestando atenção na criança que caiu do balanço e encontrar um amor. Um amor que entenda seus pequenos defeitos, compreenda seus medos e te faça sorrir com aquele típico sarcasmo. Um amor que te faça descobrir o que é o amor.
E todos os planos que fazemos quando criança parecem, de certa forma, perto. Mesmo que estejam há centenas de dias distantes. Quando os planos devem entrar em ação, tudo parece longe e mais difícil. Não sei se é porque deixamos de ser criança que nossa esperança emagrece. Se é a perda da inocência que não nos deixa sonhar alto. Voar se torna impossível, e sinal vermelho é pra parar.
A vida passa e leva os sonhos embora num saco plástico. Diz que você não é capaz, e você acredita. Ela brinca com seus sentimentos feito brinquedo de lego, que se monta e desmonta. Ela não pergunta se você vai ficar bem, ou se você se recuperou e te derruba de novo, e de novo. Ser forte é mais difícil do que brincar de ser forte.
Quebrar rotinas é bem difícil. Você perde o sabor das coisas que já estavam prontas. "Tava tão bom, pra que mudar?" Às vezes é preciso deixar de ser criança e crescer, porque a vida exige isso. Você passa a acreditar quando seus pais diziam que ser adulto não é legal. Desistir das coisas que se gosta pra "preferir" o que deve ser feito é contra sua regras de existência. Mas você deve fazer.
A cada dia chego mais perto dos meus sonhos e mais longe de mim.
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